A estudante universitária Karen Luana, de 24 anos, teve sua moto furtada com menos de um ano de uso. Após ter uma experiência ruim no momento do registro da ocorrência no Departamento de Trânsito de Minas Gerais (Detran), como alega a jovem, ela decidiu agir por conta própria para tentar recuperar sua motocicleta. "Quando fui registrar o B.O., me disseram que o percentual de recuperação era menos de 30% e me chamaram de inocente por adquirir uma moto nova. Uma das pessoas que me atendeu disse que se eu não quiser ser roubada, preciso comprar uma moto usada. Fiquei indignada, com uma sensação de impunidade", conta Karen que colocou uma faixa no local do crime, pedindo que o ladrão devolvesse sua moto.

Em Belo Horizonte mais de oito motocicletas são roubadas e furtadas por dia. Em Minas, o número diário pode chegar a 40, segundo informações da Secretaria de Estado de Defesa Social  (Seds).

Karen percorre cerca de 70 km por dia dentro da capital mineira, entre trabalho, casa e faculdade. Ela ainda usa o veículo para comprar medicamentos e fazer serviços para sua mãe e irmão que fazem hemodiálise. "Eu preciso da minha moto e eu não tenho como comprar outra. Eu trabalho de secretária para pagar a faculdade. Minha mãe não anda sozinha. Eu precisava fazer alguma coisa", explica a jovem.

Faltavam ainda 13 prestações para que a estudante terminasse de pagar o veículo, quando ele foi furtado e um estacionamento de rua na Raja Gablaglia, na altura do número 10.061, bairro Gutierrez, região Centro-Sul de Belo Horizonte.

"Fiz muito sacrifício para adquirir essa moto. Não me conformo da polícia me dizer que não tem muito o que fazer e ainda rirem e debocharem de mim, como aconteceu", se queixa Karen que disse ainda ter ficado horrorizada com as palavras. "Um funcionário chegou a falar comigo que o crime compensa e a impunidade reina. E para justificar me disseram assim: 'A gente prende eles e mais tarde estão soltos'", emendou a secretária que contou ter colocado a faixa no local para chamar a atenção de outras possíveis vítimas e para tentar de alguma forma a recuperar seu bem.

A Polícia Civil informou que seus servidores são orientados a atender de forma "eficiente, objetiva e cortês a todos os cidadãos. O solicitante que, eventualmente, considerar que não obteve um atendimento adequado deve registrar sua queixa junto à Ouvidoria da Polícia Civil pelo telefone 162 ou comparecendo à Rua Rio de Janeiro, 471, no 16º andar, Centro.