“Foi tão rápido, que fica difícil explicar. Não me lembro de quase nada”, diz Elisa Rosa Gonçalves, de 17 anos. A estudante estava no centro de umbanda na hora em que a casa desabou, e ficou soterrada sob os escombros até a chegada dos bombeiros. Ela segue internada com ferimentos leves, mas não quis informar o hospital em que está sendo atendida.

De acordo com a jovem, o barulho do colapso da estrutura de dois andares foi alto e as pessoas não tiveram como correr. O local passava por reformas no andar de baixo. 

Segundo Márcio Junio, de 24 anos, que já morou na casa e também frequentava o centro de umbanda, mas ainda não havia chegado na hora do acidente, a proprietária do imóvel havia pedido para desocupar o local, mas os moradores pediram tempo para achar outra casa. “Ela venderia o terreno e por isso começou a tirar as paredes de baixo. Como não tinha rachadura na parede nem nada, achávamos que estava tudo bem com a estrutura”, afirma. 

Um dia depois do desabamento, o que se vê no local são escombros e curiosos, que observam o que restou da construção de dois andares. Na hora do acidente, as cenas eram horríveis, conforme relataram moradores da região. “Primeiro achei que um caminhão tinha batido, por causa do estrondo. Mas na hora que vi, foi chocante. Era muita poeira branca, gente soterrada pedindo socorro”, conta Thaís Ramos, de 21 anos, que vive em frente ao local que funcionava o centro de umbanda. 

Investigação 
Depois de duas vistorias, a Defesa Civil de Belo Horizonte concluiu que a casa desabou por conta de um colapso na estrutura do imóvel. Nenhum dano foi observado nas demais casas da região. Agora, o órgão procura pela dona do terreno para que ela possa providenciar a remoção dos escombros e entulhos, além de isolar a área. Já a Polícia Civil aguarda resultados da perícia técnica realizada no local, que deve ficar pronto nas próximas semanas.

Segundo o presidente do Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia (Ibape-MG), Clémenceau Chiabi, que esteve no local, não é possível comprovar que realmente foram retiradas paredes do local e que isso fora a causa do desabamento. No entanto, ele ressalta que esta é uma hipótese coerente e que deve ser considerada pela perícia da Polícia Civil.

"Modificações nessas estruturas não são recomendadas sem uma verificação prévia do projeto. A retirada de paredes em uma obra com estrutura em alvenaria, como é feita a maior parte dos edifícios populares, traz sérios riscos de desabamento. Da mesma maneira, a retirada ou modificação de vigas, pilares ou lajes em uma obra com estrutura em concreto armado também traz sérios riscos à sua estabilidade", alerta o perito em engenharia.

O acidente aconteceu durante um encontro do grupo de nove pessoas, no fim da tarde de terça-feira.  De acordo com o Corpo de Bombeiros, oito vítimas tiveram ferimentos e escoriações e foram encaminhadas para os hospitais João XXIII, Risoleta Neves e UPA Norte. Quatro delas já tiveram alta. Foram resgatados também 3 cachorros, dois vivos e um morto.