Há mais de dois anos, o futuro de seis famílias está nos tribunais. Em uma batalha judicial, tentam recuperar prejuízos amargados desde janeiro de 2012, quando o prédio onde viviam, no bairro Buritis, região Oeste de BH, desmoronou em uma tempestade.

“Eu e meus filhos estamos vivos, mas a revolta é inevitável. Perdi minha casa, fruto de investimentos de uma vida inteira”, desabafa Rita de Cassia Piumbini, supervisora de call center. Após ser acolhida na casa de amigos por 40 dias, hoje mora de aluguel pago pela Estrutura Engenharia.

A construtora é acusada de erros na construção do imóvel, que comprometeram a estrutura, diz Karen Myrna Teixeira, advogada dos moradores. “A perícia foi encerrada, mas a empresa utiliza de vários recursos para protelar o processo, com novas indagações, que exigem mais estudos. O juiz tem que encerrar a fase probatória”.

A empresa, por sua vez, transfere a culpa para a Copasa. Segundo o engenheiro Carlos Roberto Teixeira, os problemas surgiram por falhas nas redes de água e esgoto da rua Laura Soares Carneiro. As trincas no asfalto, bem como no muro de arrimo feito no local após o desabamento, são indícios dessa falha.

Segundo Eneida Magalhães de Lima, superintendente operacional da Copasa, os laudos periciais já isentaram a empresa de qualquer responsabilidade referente ao desabamento. “Os próprios moradores já afirmaram isso, mas a construtora quer se esquivar da culpa. Temos provas de que os equipamentos hidráulicos (rede de água e esgoto) naquela rua estavam funcionando perfeitamente.

Mesmo drama

Drama semelhante é vivenciado por Helvécio José Tibães, que, também em 2012, viu desmoronar o prédio onde vivia com mulher e filha, no Caiçara. “Não tivemos tempo para salvar nada. Móveis, roupas e toda perspectiva de futuro continuam enterrados”, conta o representante comercial, que mora de favor no porão da casa da mãe.

Dois anos após a tragédia, os laudos periciais ainda não foram encerrados. A demora, segundo o advogado Adriano Cardoso, é atribuída à resistência da prefeitura de BH em retirar os escombros do local, mesmo com uma ordem judicial que determina a realização do trabalho. Enquanto as provas não forem completamente levantadas, as oito famílias que tiveram as vidas desfeitas continuarão sem respostas.

Reforma

Em nota, a prefeitura informou que será feita a retirada de todo entulho da rua Passa Quatro, para a execução de uma obra de contenção em toda extensão do desabamento. Será feita também a reforma da via e do sistema de drenagem. Até o momento, a intervenção se encontra em processo licitatório. O prazo previsto após a licitação é de 240 dias. A via pública está sinalizada e interditada, há imóveis desocupados aos fundos do desabamento e na lateral.

Ainda conforme a prefeitura, há risco de desabamento. A presença dos entulhos no local atenua significativamente o risco até que se construa a contenção. Segundo a assessoria de imprensa da Defesa Civil Municipal, o órgão esteve várias no local e notificou os moradores a tomar providências sobre os riscos da estrutura do imóvel.