A nova etapa da vacinação de adolescentes em Belo Horizonte pode refletir em maior adesão ao ensino presencial e mais flexibilizações nas escolas, ampliando o número de alunos nas turmas. Pelos menos, essas são as expectativas de muitos pais e instituições. Por outro lado, professores ainda reclamam das condições de trabalho e exigem medidas sanitárias mais rígidas. 

Na semana que vem, a capital vai imunizar contra a Covid os jovens de 13 a 16 anos sem comorbidades. Ao todo, são 110 mil estudantes, que irão receber a dose da Pfizer – vacina que teve o intervalo antecipado para oito semanas. 

Atualmente, 60% das famílias já levam os filhos para as escolas na rede pública. Nos colégios particulares, o número chega a 85%, segundo o Sindicato das Escolas Particulares de Minas Gerais (Sinep-MG).

No Colégio M2, a adesão dos alunos que estava em 40% no início da volta às aulas, já está em 90%. Segundo o diretor geral, Emiro Barbini, o avanço da imunização abre caminho para um novo ambiente escolar. 

“A vacinação se faz necessária pela saúde de todos. A situação dentro da escola também melhora muito, os espaçamentos exigidos vão diminuindo. Quanto mais a campanha avança, mais os protocolos melhoram”, afirmou. 

Essa segurança, inclusive, já aumentou para algumas famílias, como conta o mecânico e motorista Adílson Ferreira, pai da estudante Mariana Borges, de 17. Ontem, ela recebeu a primeira dose da Pfizer.

“Do jeito que estão as coisas, a gente fica até mais tranquilo para mandá-la para os ambientes com mais pessoas, inclusive a escola, que até hoje estava com medo de mandar antes de vacinar”. 

Hoje, para comparecer à sala de aula, a Mariana e demais alunos de BH, devem respeitar o distanciamento de 1 metro. “Estamos aguardando a flexibilização da PBH para que a gente possa ficar sem limite de estudantes em sala. Falo que, hoje, as famílias querem voltar”, disse a presidente do Sinep-MG, Zuleica Reis Ávila.

Professores

Mesmo cientes que o avanço da vacinação em adolescentes é fundamental e urgente, uma possível mudança no protocolo, com diminuição do distanciamento, não agrada ao Sindicato dos Professores de Minas Gerais (Sinpro). 

“Acreditamos que o distanciamento precisa ser maior e continuar de, no mínimo, 1,5m, apesar dos professores estarem exaustos com a questão da aula simultânea, para alunos em sala de aula e ensino remoto”, considerou a presidente da associação, Valéria Morato. 

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