SÃO PAULO - Uma vacina que protege contra os quatro subtipos do vírus da dengue pode começar a ser produzida até dezembro de 2019 no Brasil. Nesta quarta-feira (12), o Instituto Butantan, em São Paulo, fechou uma parceria com a farmacêutica norte-americana MSD para viabilizar o desenvolvimento mais rápido do insumo.

O acordo foi possível porque os estudos feitos pelo Butantan para a produção do imunizante estão mais avançados que no laboratório estrangeiro. “Aqui já estamos na fase três de desenvolvimento ento clínico, na qual ela (a vacina) é testada em humanos”, afirmou Dimas Tadeu Covas, diretor do Instituto.

A parceria prevê o aporte de até R$ 101 milhões ao laboratório paulista, que serão liberados na medida em que os testes forem avançado. “O MSD licenciou direitos do Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos junto do Instituto Butantan. Por isso, estamos financiando os estudos no Brasil e os dois institutos vão nivelar o desenvolvimento da vacina”, disse Mike Nally, diretor do setor de imunizações do laboratório norte-americano.

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Após a conclusão da fase três de teste clínico, o próximo passo será conseguir o registro da vacina tetravalente na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). “Isso não quer dizer que ela já esteja disponível para toda a população, pois ainda tem o processo de autorização e compra do governo e isso não se garante de forma rápida”, comentou Covas.

Segundo o diretor, quando o imunizante estiver pronto, a MDS poderá comercializar com o restante do mundo, enquanto o Butantã comercializará com o Brasil. “A taxa de imunização será acima de 80% para pessoas de todas as idades que tenham contraído dengue ou não. O retorno pode ser de até R$ 1,5 bilhão para o Butantan”, afirmou.

*Repórter viajou a convite da MSD

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