Ferramenta mais eficaz para prevenir casos de meningite bacteriana, a vacinação contra a doença ganhou reforços: dois novos tipos de imunização que protegem contra mais sorogrupos responsáveis por causar o problema. Já autorizada há muitos anos nos Estados Unidos e em vários países da Europa, as aplicações da meningocócica B e da ACWY foram recentemente liberadas no Brasil.

Juntas, são capazes de blindar qualquer pessoa contra a forma de meningite mais comum no país – a provocada pelo microrganismo conhecido como meningococo, que têm as variações A, B, C, W 135 e Y. Por enquanto, as vacinas estão disponíveis apenas na rede privada, por um preço médio de R$ 350.

Registros

Só no ano passado, 427 pessoas receberam o diagnóstico da enfermidade em Minas Gerais por contaminação com bactérias. Outras 639 ocorrências foram causadas por vírus, fungos, reação a drogas ou traumas, segundo os dados da Secretaria Estadual de Saúde.

“Na década de 1990 surgiram vacinas eficazes contra as principais bactérias que podem gerar o problema. Desde então, o meningococo se tornou nossa maior preocupação”, afirma a médica Regina Célia de Menezes Succi, do Departamento de Infectologia da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).

O motivo é claro: é esse o agente que leva à forma mais grave da doença, podendo trazer sérias sequelas neurológicas e até a morte. Além disso, até pouco tempo só existia proteção contra o sorotipo C desse microrganismo.

Gratuita desde os anos 2000 e obrigatória aos 3 e 5 meses, com doses de reforço no primeiro ano de vida, a maioria das crianças brasileiras ficou imune a esse tipo de meningite. Porém, o número de casos envolvendo os outros sorogrupos (A, B, W 135 e Y) cresceu.

Indicação

Agora, a cobertura está completa para aqueles que podem pagar pela imunização. No entanto, ressalta a médica especialista em vacinas do Grupo Hermes Pardini, Marilene Lucinda, é preciso ficar de olho na idade recomendada para cada dose.

“A vacina ACWY só é permitida para crianças com mais de 12 meses. Para que não fiquem sem nenhuma defesa até completarem o primeiro ano de vida, os pais devem dar as doses já oferecidas pelo SUS, que protegem contra o sorotipo C”, explica. Já as aplicações contra o meningococo B são autorizadas para pessoas de qualquer idade.

Incidência dos casos é maior nos períodos mais frios

O frio característico desta época do ano pode favorecer a ocorrência da meningite. O perigo está na concentração de várias pessoas em um ambiente fechado. Como a doença é transmitida por vias respiratórias, como gotículas e secreções, o risco de ser contaminado pelas bactérias que causam o problema é maior.

Após a instalação do agente no organismo, os sintomas aparecem rapidamente – na maioria das vezes, em até 24 horas.

“Nos bebês, a moleira fica elevada. Em outras faixas etárias, existe um quadro inicial de febre e mal-estar, dor de cabeça, rigidez na nuca, com dificuldade de aproximar o queixo do tórax”, detalha a médica Marilene Lucinda, do laboratório Hermes Pardini. À medida em que a enfermidade evolui, a pessoa pode ter confusão mental, perda de consciência ou entrar em coma.

Casos mais graves de meningite também causam alterações na circulação do sangue, que podem levar à necrose da pele. “O paciente perde orelha, dedos e até membros inteiros”, alerta Regina Célia de Menezes Succi, do Departamento de Infectologia da Sociedade Brasileira de Pediatria. O quadro infeccioso pode durar de sete a 30 dias.

Tratamento

Agilidade no diagnóstico e tratamento médico é fundamental para evitar tantos prejuízos. As ocorrências de meningite bacteriana, segundo Marilene, são tratadas com antibióticos. “Mesmo que receba todo o cuidado médico, o paciente está sujeito a sequelas como paralisia, dificuldade para andar, falar e retardo mental”, afirma a especialista.

Ponto a ponto : Vacinação em Dia

Crianças
Ao nascer: BCG, Hepatite B
1 mês: Hepatite B
2 meses: Tetravalente, Poliomielite, Rotavírus
3 meses: Meningocócica C
4 meses: Tetravalente, Poliomielite, Hepatite B
5 meses: Meningocócica C
6 meses: Tetravalente, Poliomielite, Hepatite B
9 meses: Febre Amarela
12 meses: Tríplice Viral, Meningocócica B
15 meses: Tríplice Bacteriana, Poliomielite
4 a 6 anos: Tríplice Bacteriana, Tríplice Viral
10 anos: Febre Amarela

Adolescentes
11 aos 19 anos: Hepatite B, dT (dupla tipo adulto – difteria é tétano), Febre Amarela, Tríplice Viral

Adultos
A partir de 20 anos: dt, Febre Amarela, Tríplice Viral, Dupla Viral

Idosos
60 anos ou mais: Influenza (dose anual), pneumococo (dose única)
A cada 10 anos, por toda a vida: dT, Febre Amarela

Fonte: Ministério da Saúde