Uma empresa de engenharia dos Estados Unidos foi apresentada pela Vale ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), durante reunião realizada neste domingo (19). A intenção da mineradora é que esta companhia faça um estudo independente da situação na mina de Gongo Soco, em Barão de Cocais, na região Central de Minas Gerais. O município vem vivendo momentos de tensão desde a última semana, quando a mineradora anunciou que uma estrutura da mina deve se romper a qualquer momento e isso pode culminar no colapso da barragem, que desalojaria cerca de 6 mil moradores da cidade. 

Conforme o MPMG, a possível contratação da empresa Rizzo International para a realização da auditoria independente foi apresentada em função de uma determinação da Justiça diante de um pedido feito pelos promotores que acompanham o caso. "A empresa contratada realizará serviços de auditoria externa geotécnica independente para o Ministério Público e demais órgãos envolvidos". Porém, segundo o órgão, somente a Vale pode explicar quais os critérios para a escolha da multinacional. 

A mineradora foi procurada pela reportagem do Hoje em Dia e informou, por meio de nota, que a escolha da empresa foi feita para atender às ações civis públicas movidas pelo MPMG na Justiça. "A Vale firmou um memorando de entendimento no dia 16 de abril com a empresa Rizzo International para realizar serviços de auditoria independente de algumas de suas barragens, entre as quais a Sul Superior, da Mina de Gongo Soco", diz o texto divulgado. 

Ainda segundo a empresa, o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) do escopo de trabalho da Rizzo International ainda está em discussão com o MPMG. "Um consultor da empresa visitou as estruturas da mina de Gongo Soco pela primeira vez no último sábado (18). Nenhum posicionamento formal foi, no entanto, apresentado pela empresa de auditoria durante a visita", conclui a nota. 

A Rizzo International é uma empresa global de engenharia e consultoria sediada em Pittsburgh, Pennsylvania, segundo dados do próprio site da companhia.

"Somos uma empresa altamente especializada em todos os aspectos das áreas de engenharia civil e ciências da terra para instalações de geração de energia, barragens, estruturas comerciais especializadas e projetos de escavação de túneis. Por mais de um quarto de século, nossa empresa trabalhou em todo o mundo em projetos únicos, desafiadores e tecnicamente exigentes. Orgulhamo-nos do nosso compromisso em fornecer serviços pessoais e profissionais de forma ágil e de alta qualidade e esforçamo-nos continuamente para exceder as expectativas dos nossos clientes, fornecendo soluções inovadoras e economicamente inteligentes", afirma a Rizzo. 

Reunião

Participaram do encontro diversos promotres, entre eles a coordenadora da força-tarefa do MPMG, Andressa Lanchotti, e representantes da Vale, do Ministério Público do Trabalho (MPT), da Agência Nacional de Mineração (ANM), da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), Fundação Estadual de Meio Ambiente (Feam), Advocacia Geral da União (AGU), Advocacia Geral do Estado (AGE) e Defesa Civil.

De acordo com Andressa Lanchotti, o MPMG "continuará atuando diuturnamente para mitigar os impactos de eventual rompimento da barragem, tomando todas as medidas preventivas possíveis". 

Por fim, as autoridades presentes determinaram à mineradora que a comunicação das informações sobre a movimentação do talude, a segurança da barragem, monitoramento e ações emergenciais seja feita de forma imediata e não fragmentada, uma vez que isso poderia dificultar ou impedir a atuação dos órgãos. 

Situação da barragem

Na última quarta-feira (15) a Defesa Civil de Minas Gerais divulgou a movimentação de quatro centímetros em um talude da mina Gongo Soco, da Vale. Esta estrutura é um plano de terreno inclinado que limita um aterro e tem como função garantir a estabilidade da estrutura. A parede em risco está localizada na face norte da cava da mina, que está desativada.

A queda da estrutura em si não afeta a barragem, que está localizada a 1,5 km de distância, entretanto, existe a possibilidade dela causar um abalo sísmico que pode ser o gatilho para o rompimento da barragem, que tem 6 milhões de m³ de rejeitos de minério, segundo a ANM. 

Na quinta-feira (16) o MPMG divulgou que teve acesso a um documento da própria Vale que traz uma previsão sobre quando o talude deverá se romper. "A empresa Vale S/A estima que, permanecendo a velocidade de aceleração de movimentação do talude norte da Cava da Mina de Gongo Soco, sua ruptura poderá ocorrer no período de 19 a 25 de maio de 2019, gerando vibração que poderá ocasionar a liquefação da Barragem Sul Superior e sua consequente ruptura", aponta a promotoria. 

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