A Vale irá pagar pelos estudos de viabilidade para a construção de um novo rodoanel na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A informação foi dada pelo secretário de Estado de Infraestrutura e Mobilidade, Marco Aurélio Barcelos, durante balanço de gestão apresentado à imprensa na manhã desta quinta-feira (12). A doação deve ser feita na semana que vem. Além da mineradora, o Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES) irá investir em estudos preliminares para concessões de rodovias do Estado para a iniciativa privada.

A partir dos estudos será possível desenvolver um projeto para a realização da grande obra, necessária para interligar rodovias que passam por Belo Horizonte e, assim, desafogar o tráfego intenso do Anel Rodoviário, que hoje cumpre o papel também de uma grande via da capital que interliga diversos bairros e regiões.

“São estudos caros e demorados, que demandam avaliação ambiental, estudos de engenharia e modelagem financeira”, afirmou o secretário, que tem a expectativa de ver esse trabalho se iniciar em janeiro de 2020. Os estudos devem analisar as construções de duas alças, ligando a BR-381 entre Betim e Caeté e outra ligando a BR-381 à BR-040.

A intenção da secretaria é negociar com a própria Vale também a execução da obra – como compensação pelos danos provocados ao Estado após o rompimento da barragem da Mina do Córrego do Feijão, em Brumadinho. “Se não tivermos acordo com a Vale por recursos que possam ser alocados na obra, vamos partir para uma concessão e não uma PPP (parceria público-privada), porque isso depende de recursos do Estado”, adiantou.

Os benefícios da obra vão além da Região Metropolitana, de acordo com Barcelos. “É um projeto de longo prazo, que demanda muita energia e muitos recursos, mas que se sair a gente traz um legado para Minas Gerais. Seria mais audacioso, diria que é para o Brasil, porque estamos eliminando um gargalo logístico, que é centrado no Anel Rodoviário”.

Concessões

Na próxima segunda-feira (16), o Estado e o BNDES vão assinar um contrato para que o banco financie os estudos necessários para o desenvolvimento dos editais de licitação de sete lotes de rodovias mineiras.

A previsão é que os dois primeiros editais sejam publicados ainda em 2020. Os primeiros lotes a serem trabalhados são os trechos entre Uberlândia e Araxá e entre Itajubá e Pouso Alegre. “Esses trechos foram escolhidos a partir de estudos de pré-viabilidade, verificando o movimento de veículos nessas rodovias para ver se é viável oferecer uma concessão”, explicou o secretário.

Outras duas obras viárias já saíram do papel. A partir de uma parceria com a Anglo American, será concluída a obra de pavimentação da MG-010, entre Conceição do Mato Dentro e Serro. A duração estimada para as obras é de dois anos, com extensão de 24,6 km e investimento total previsto de R$ 45 milhões. Além dela, também será feita a linha asfáltica entre o Instituto Inhotim e o entroncamento da MG-040, com investimento de R$ 50 milhões.

A Vale informou que "mantém interlocução com representantes do Poder Público, Ministério Público, Defensoria Pública e demais órgãos competentes para entender as demandas dos atingidos e, caso confirmadas, resolvê-las de forma célere, sempre em comum acordo com todas as partes interessadas. Os procedimentos adotados pela empresa respeitam esse trâmite".