Diante do risco de ser multada em até R$ 300 milhões, a Vale entregou nesta terça-feira (21), último dia do prazo estipulado pela Justiça, o estudo sobre os impactos do vazamento de 100% de todas as estruturas de líquidos, rejeitos de barragens e estruturas do complexo minerário da mina Gongo Soco, em Barão de Cocais, na região Central do Estado. 

A entrega do estuado foi divulgada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), que informou que ainda terá ciêcia do documento e, depois disso, divulgará aos órgãos de Estado para que "avaliem se os planos emergenciais apresentados pela Vale em juízo estão adequados ao pior cenário possível em caso de rompimento da barragem". 

Na última sexta-feira (17), a juíza Fernanda Chaves Carreira Machado estipulou o prazo de 72 horas para a empresa entregar o estudo, sendo que a intimação foi entregue à empresa no sábado (18). Se o prazo não fosse cumprido pela mineradora, a multa de R$ 300 milhões seria aplicada. 

De acordo com a Justiça, a Vale deveria apresentar um estudo atualizado do dam break, considerando a zona de impacto como um todo, levando-se em conta os efeitos cumulativos e sinérgicos do conjunto de todas as estruturas integrantes do complexo minerário e o vazamento de 100% dos rejeitos e água.

A empresa também deveria, segundo a decisão judiciária, implantar sinalização de campo e de sistema de alerta; estratégias para evacuação e resgate da população; plano para resgate e cuidado de animais, além de bens culturais. 

A Vale foi procurada pela reportagem e informou, por meio de uma nota, que os estudos de dam break estão disponíveis nas "prefeituras dos municípios que fazem parte da Zona de Segurança Secundária: Barão de Cocais, Santa Bárbara e São Gonçalo do Rio Abaixo, além da Defesa Civil Estadual".

Situação

Ainda nesta terça-feira, a Vale divulgou que a movimentação no talude norte da cava da mina chegou a 6 a 10 centímetros nos últimos dias. Na semana anterior, a empresa afirmou que, se a movimentação de cerca de quatro centímetros continuasse, a estrutura deveria se romper até o próximo sábado (25), porém, com esse aumento no deslocamento, o talude pode desmoronar a qualquer momento. 

A barragem Sul Superior está em nível 3 – ou seja, há um risco iminente de rompimento – desde fevereiro deste ano. O talude norte da cava da mina, que deve se romper esta semana, pode provocar um abalo sísmico que provocaria uma desestabilização na barragem. Se esta tiver a estrutura comprometida, seus rejeitos poderão arrasar vários bairros de Barão de Cocais e cidades vizinhas, como Santa Bárbara e São Gonçalo do Rio Abaixo. A chance de a barragem se romper é de 15%, de acordo com a Secretaria de Estado de Meio Ambiente. 

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