A empreiteira Andrade Gutierrez, envolvida na operação Lava Jato, foi procurada pela Vale para a realização de obras em oito barragens em Minas Gerais. Conforme reportagem do jornal Estado de São Paulo, na semana passada a mineradora acertou com a construtora para que seja feito um contrato de administração por obra, sendo que o acordo entre as duas empresas depende da aprovação do conselho de administração da mineradora. 

Procurada pela reportagem do Hoje em Dia, a Vale informou que mantém contato regular com empresas especializadas para o desenvolvimento de obras de engenharia para suas operações. "A empresa segue desenvolvendo estudos relacionados à contenção de algumas estruturas, tendo como premissa máxima a preservação das condições de segurança dos trabalhadores e da população das cidades onde tais estruturas estão localizadas", alegou. 

A empresa foi indagada sobre quais seriam as oito estruturas alvo da negociação com a empreiteira e sobre quais são os procedimentos a serem feitos, porém, não respondeu aos questionamentos da reportagem. 

Ainda segundo a reportagem do jornal, a Andrade Gutierrez começará nos próximos dias uma análise para executar o plano de reconstruir as barragens da mineradora e ainda não há um preço fechado para estas obras. Entre os primeiros trabalhos a serem feitos pela empreiteira, está a construção do enorme muro de concreto para conter os rejeitos em caso de rompimento da barragem Sul Superior, da mina Gongo Soco, em Barão de Cocais, na região Central de Minas. 

O projeto da construção desse muro foi apresentado pela Vale em reunião realizada na última quinta-feira (11) com os moradores de Barão de Cocais. Em caso de rompimento da barragem, pelo menos 3 mil casas seriam atingidas pelos rejeitos da mineração. Segundo a Defesa Civil do município, pela proposta da mineradora, o muro teria uma previsão de um ano para ficar pronto. A empresa, contudo, não confirmou a previsão de gastos com o projeto. A estrutura não necessita de licença da Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Smad) para ser executada.

O rompimento da barragem de Brumadinho, que matou 228 pessoas e deixou outras 49 desaparecidas, levou a mineradora a suspender sua produção, sendo que a companhia deixará de produzir este ano quase 93 milhões de toneladas de minério de ferro, volume que responde por um quarto do total da capacidade de produção da mineradora.

Acordo pode ajudar construtora, que enfrenta problemas financeiros

A reportagem do Estado de São Paulo lembra ainda que a construtora Andrade Gutierrez, uma das várias empreiteiras envolvidas na Operação Lava Jato, estaria se desfazendo de vários ativos com o objetivo de reduzir suas dívidas. Segundo uma fonte familiarizada com a construtora, as negociações para as obras de contenção das barragens da Vale dariam um respiro à empresa, que enfrenta problemas financeiros.

Recentemente, o colunista Lauro Jardim, de O Globo, divulgou que a construtora estaria em conversas com o grupo chinês Power China para firmar parcerias, com futura venda de seus negócios. De acordo com uma fonte próxima ao grupo, a Andrade não pretende se desfazer de sua participação da CCR, concessionária de rodovias, e não quer abrir mão da construtora.

Procurada pelo Hoje em Dia, a Andrade Gutierrez informou somente que não iria comentar o assunto.  

*Com Estadão Conteúdo

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