A troca de e-mails entre profissionais da Vale e duas empresas ligadas à segurança da barragem de Brumadinho, que se rompeu no último dia 25 e já deixou 150 mortos, está sendo analisada pela Polícia Federal (PF). Os documentos mostram que dois dias antes do acidente, a Vale já havia identificado problemas em dados de sensores responsáveis por monitorar a estrutura.

As informações fazem parte do depoimento prestado por dois engenheiros da Tüv Süd Brasil, empresa contratada pela mineradora, Makoto Namba e André Jum Yassuda, que a TV Globo teve acesso. 

Os dois funcionários foram presos na semana passada, transferidos para a penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, na Grande BH, mas nessa terça-feira (5), o Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou que eles fossem libertados.

As mensagens, segundo a publicação, começaram a ser trocadas no dia 23 de janeiro, às 14h38, e se prolongaram até as 15h05 do dia seguinte. A barragem se rompeu em 25 de janeiro.

Segundo a matéria publicada no site G1, o delegado Luiz Augusto Nogueira, que está à frente das investigações, informou que o assunto das mensagens "diz respeito a dados discrepantes obtidos através da leitura dos instrumentos automatizados (piezômetros) no dia 10/01/2019, instalados na barragem B1 do CCF, bem como acerca do não funcionamento de 5 (cinco) piezômetros automatizados".

No depoimento, Namba foi questionado sobre "qual seria sua providência caso seu filho estivesse trabalhando no local da barragem". E, segundo o relatório da PF, "após a confirmação das leituras, ligaria imediatamente para seu filho para que evacuasse do local bem como ligaria para o setor de emergência da Vale responsável pelo acionamento do Plano de Ação de Emergência de Barragens de Mineração (PAEBM) para as providências cabíveis".

Além disso, o engenheiro afirmou ainda que em reunião com Alexandre Campanha, funcionário da Vale, ouviu a pergunta: “A Tüv Süd vai assinar ou não a declaração de estabilidade?”. Makoto Namba informou que, diante do questionamento, respondeu que iria assinar se a Vale adotasse a recomendação, indicada na revisão periódica de junho de 2018. Ele disse, também, que apesar da resposta, sentiu que a pergunta foi uma maneira de pressionar a empresa a assinar a declaração de condição de estabilidade. 

A TÜV SÜD informou que não vai comentar o assunto por estar sob sigilo.

Em nota, a Vale informou que vem colaborando proativamente e da forma mais célere possível com todas as autoridades que investigam as causas do rompimento da Barragem I da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho. "Como maior interessada no esclarecimento das causas desse rompimento, além de materiais apreendidos, a Vale entregou voluntariamente documentos e e-mails, no segundo dia útil após o evento, para procuradores da República e delegado da Polícia Federal", explica o comunicado. 

A companhia disse ainda que não comentará as particularidades das investigações de forma a preservar a apuração dos fatos pelas autoridades.

A tragédia

O número de mortos no rompimento da barragem da Vale subiu para 150, segundo boletim divulgado nesta quarta-feira pela Defesa Civil de Minas Gerais. 134 corpos foram identificados e outras 182 pessoas continuam desaparecidas.