A Vale tem até esta terça-feira (21) para apresentar um estudo sobre os impactos do vazamento de 100% de todas as estruturas de líquidos e rejeitos das barragens e estruturas do complexo minerário da Mina de Gongo Soco, em Barão de Cocais, região Central de Minas Gerais. A juíza Fernanda Chaves Carreira Machado deu prazo de 72 horas para a empresa entregar o documento; a intimação foi entregue na tarde de sábado (18).

A barragem Sul Superior, no mesmo complexo minerário, está em nível 3 – ou seja, há um risco iminente de rompimento. O talude norte da cava da mina, que deve se romper esta semana, pode provocar um abalo sísmico que provocaria uma desestabilização na barragem. Se esta tiver a estrutura comprometida, seus rejeitos poderão arrasar vários bairros de Barão de Cocais e cidades vizinhas, como Santa Bárbara e São Gonçalo do Rio Abaixo. A chance de a barragem se romper é de 15%, de acordo com a Secretaria de Estado de Meio Ambiente. 

De acordo com a Justiça, a Vale deve apresentar um estudo atualizado do dam break, considerando a zona de impacto como um todo, levando-se em conta os efeitos cumulativos e sinérgicos do conjunto de todas as estruturas integrantes do complexo minerário e o vazamento de 100% dos rejeitos e água.

A empresa também deve, segundo a decisão judiciária, implantar sinalização de campo e de sistema de alerta; estratégias para evacuação e resgate da população; plano para resgate e cuidado de animais, além de bens culturais. O descumprimento da liminar terá multa majorada para R$ 300 milhões.

A Justiça informou que a intimação foi entregue a dois gerentes da mineradora e um e-mail foi enviado à diretoria da empresa. A Vale foi procurada pela reportagem sobre o assunto, mas ainda não deu retorno.

Situação

Na última quarta-feira (15) a Defesa Civil de Minas Gerais divulgou a movimentação de quatro centímetros em um talude da mina Gongo Soco, da Vale. Esta estrutura é um plano de terreno inclinado que limita um aterro e tem como função garantir a estabilidade da estrutura. A parede em risco está localizada na face norte da cava da mina, que está desativada.

A queda da estrutura em si não afeta a barragem, que está localizada a 1,5 km de distância, entretanto, existe a possibilidade dela causar um abalo sísmico que pode ser o gatilho para o rompimento da barragem, que tem 6 milhões de m³ de rejeitos de minério, segundo a ANM.

Na quinta-feira (16) o MPMG divulgou que teve acesso a um documento da própria Vale que traz uma previsão sobre quando o talude deverá se romper. "A empresa Vale S/A estima que, permanecendo a velocidade de aceleração de movimentação do talude norte da Cava da Mina de Gongo Soco, sua ruptura poderá ocorrer no período de 19 a 25 de maio de 2019, gerando vibração que poderá ocasionar a liquefação da Barragem Sul Superior e sua consequente ruptura", aponta a promotoria.

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