Pelo menos 41 famílias evacuadas das áreas de risco de rompimento de barragens em Nova Lima, na Grande BH, enfrentam novo drama. Ontem, os moradores receberam aval para retornarem às casas, mas, com medo, se recusam a deixar os hotéis onde estão. A Vale afirma que não vai mais pagar as diárias para os que foram autorizados a voltar aos imóveis.

Segundo a Defesa Civil do município, essas pessoas não estariam na rota da lama, caso os reservatórios B3/B4, no distrito de Macacos, e Vargem Grande, na divisa com Itabirito, vierem a estourar. 

Coordenador do órgão, Marcelo Marques de Sant’Ana explica que a medida foi tomada após “um estudo criterioso do dam-break” – documento que mostra a área de alcance dos rejeitos – apontar que os moradores estão fora da mancha de inundação. Porém, as famílias também pedem à Vale um laudo assinado por um engenheiro.

Com o marido e os três filhos em um hotel de BH, a diarista Adenilde Silva Evangelista, de 30 anos, afirma não estar segura em voltar para o imóvel onde mora em Macacos. “Preciso retomar a rotina, mas desde que haja garantias”.

Moradores do Condomínio Solar da Lagoa, retirados dos imóveis após uma empresa não atestar a estabilidade do reservatório Vargem Grande, também estão apreensivos. “Não vou voltar lá. Foi uma saída traumática e agora eles simplesmente alegam que não tem mais perigo?”, questiona a advogada Ana Carolina Furquim, de 45 anos, alojada em um hotel no Alphaville, em Nova Lima.

“Não demos ordem para que as pessoas retornem. Mas quem desejar, pode ir”, garantiu Marcelo Sant’Ana. Coordenador-adjunto da Defesa Civil Estadual, o tenente-coronel Flávio Godinho reiterou que as áreas estão em condições de segurança. “Tentamos dar tranquilidade às famílias”.

Procurada, a Vale informou que não vai arcar com as despesas de hospedagens das famílias fora da área de risco. A companhia não disse quando deixará de pagar as diárias. Sobre a emissão de um laudo, a mineradora alega ser de responsabilidade da Defesa Civil. Já os órgãos de Nova Lima e do Estado afirmam que ele deve ser apresentado pela mineradora.

Segundo a Defesa Civil, 305 pessoas foram retiradas das casas em Macacos. Dessas, 200 foram para hotéis em BH, 57 estão hospedadas em pousadas e 48 na casa de familiares

Mais transtornos

Os moradores que continuam cobertos pela Vale e que estão em hotéis da capital vão precisar deixar os locais por conta das reservas feitas para a folia. Pessoas que estão no Hotel Ibis, Centro-Sul de BH, são algumas delas.

Segundo o estabelecimento, “o cliente foi informado com antecedência sobre a restrição no período do Carnaval, já previamente vendido, e que poderíamos indicar outras opções na região, caso fosse necessário”. Em nota, a Vale garantiu que procura novos locais para remanejar os moradores.

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