Sete em cada dez amostras sequenciadas do coronavírus já são positivas para a variante Delta em Minas. Em algumas regiões, 100% dos testes indicam a cepa mais transmissível, como em Juiz de Fora, na Zona da Mata. Até o momento, são 628 casos da mutação, identificados em 130 cidades. Nove óbitos foram confirmados.

O avanço cada vez mais acelerado da Delta no Estado consta em relatório da UFMG. Conforme Renan Pedra, pesquisador do Departamento de Genética, Ecologia e Evolução da instituição, a tendência é que a mutação se torne a única em circulação. 

“A gente já esperava esse perfil de substituição (da Gama para Delta). Está tudo caminhando para que ela (Delta) fixe, e a gente não tenha mais as outras. Isso até um possível surgimento de uma nova cepa”, disse.

O professor também destacou o aumento nos casos identificados. “Já temos regionais que chegaram a 100% dos casos para a cepa, como Juiz de Fora, Teófilo Otoni e Manhuaçu”.

Em Juiz de Fora, na Zona da Mata, 100% das amostras analisadas indicavam a presença da variante Delta 

Hoje, na regional de saúde Belo Horizonte, que engloba a capital e cidades vizinhas, quase 75% das amostras avaliadas indicam a presença da Delta. 

Proteção

Em meio ao avanço da cepa, o caminho para evitar que o cenário se agrave é um só: proteção, com uso de máscara, higienização das mãos e imunização com as duas doses da vacina contra a Covid. 

“Mas, mesmo com níveis altos de anticorpos, é preciso que a gente siga as medidas de proteção, já que, mesmo com a vacina, as pessoas continuam podendo transmitir a doença”, afirmou o infectologista da Santa Casa BH, Alexandre Sampaio Moura. 

Ampliação da terceira dose

O avanço da Delta no Estado e no país também evidenciam a necessidade da aplicação da terceira dose em idosos, considerados mais vulneráveis. Ontem, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, anunciou que a campanha de vacinação com reforço será ampliada para pessoas acima de 60 anos. 

Entram neste grupo somente os que tomaram a segunda dose há mais de 6 meses no Brasil. Até agora, o Ministério da Saúde havia anunciado a dose de reforço para imunossuprimidos, profissionais de saúde e pessoas com 70 anos ou mais.

“Em pessoas idosas, que são as que perdem imunidade com o tempo, a dose de reforço é importante para que se possa manter todos os níveis de imunização. É preciso garantir que todo mundo esteja protegido para que a doença não circule”, acrescenta o infectologista. 

Além disso:

No Estado, de acordo com dados da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG), a Delta já infectou desde bebês de apenas 1 mês a idosos de 95 anos. As mulheres são as mais contaminadas – 357 casos são do sexo feminino. 

Até a última sexta-feira (24), eram 711 casos. Os atuais 628, segundo a SES, se devem por conta de uma revisão no banco de dados, que identificou informações de amostras repetidas. 

Já o número de óbitos segue estável. As mortes foram registradas em Belo Horizonte, Contagem, Piraúba, Caratinga (2), Rio Novo, Claro dos Poções, Uberaba e Cabeceira Grande.

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