As cervejas da empresa mineira Backer foram contaminadas por vazamentos no tanque utilizado para resfriar a bebida alcóolica. A conclusão é da Polícia Civil, que nesta terça-feira (9) concluiu o inquérito sobre o caso. 

De acordo com a investigação, durante o processo de fabricação da cerveja, as substâncias químicas e altamente tóxicas dietilenoglicol (DEG) e monoetilenoglicol misturavam-se ao líquido que, posteriormente, era engarrafado e vendido nos supermercados de Belo Horizonte e outras localidades.

O vazamento, conforme o delegado Flávio Grossi, foi constatado no "chiller", uma das etapas de fabricação da cerveja. “O líquido jorrava e se misturava com a cerveja”, explicou. “Além do vazamento no chiller, havia outros pontos de vazamentos pela fábrica”, declarou.

O inquérito apontou, também, que os dois produtos tóxicos estavam presentes na empresa desde 2018. No início de 2019, havia alto índice de contaminação em um dos lotes de cerveja da Backer. O médico-legista Thales Bittencourt informou que o nível de toxidade era tão grande que uma única garrafa era capaz de matar uma pessoa.  

A Backer sempre alegou que nunca trabalhou com o DEG, somente com o monoetilenoglicol. A Polícia Civil avalia que não faz diferença de como o produto foi parar dentro na cervejaria - se a Backer comprou ou se foi trocado pelo fornecedor. "Não faz diferença porque os dois produtos são tóxicos", disse Grossi.

Por causa da contaminação das cervejas, 11 pessoas foram indiciadas pelos crimes de homicídio culposo - quando não há a intenção de matar -, lesão corporal culposa, intoxicação dolosa, omissão ou falso testemunho, dependendo de cada caso.

Procurada pela reportagem, a Backer informou que irá honrar com suas responsabilidades junto à Justiça, às vítimas e aos consumidores.  "Sobre o inquérito policial, tão logo os advogados analisarem o relatório, a empresa se posicionará publicamente".

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