Após o massacre de Suzano, na quarta-feira (13), pais de todo o Brasil ficaram mais atentos quanto ao perigo de grupos de debate na deep web. De acordo com a Polícia Civil de São Paulo, os dois autores do crime, que resultou na morte de oito vítimas, planejaram a ação ao longo de um ano e eram incentivados por internautas em fóruns da internet profunda. Após o massacre, vários anônimos usaram esses grupos para comemorar o atentado. 

Afinal, é possível saber se seu filho frequenta a deep web e participa de debates virtuais com conteúdos homofóbicos, racistas, misóginos e violentos? Como verificar se o adolescente é susceptível a um conteúdo socialmente inapropriado e perigoso?

De acordo com Julia Khoury, psiquiatra da Faculdade de Medicina da UFMG, os pais devem ficar atentos às mudanças de comportamento dos filhos, se houve quebras na forma de agir ou se portar socialmente. “Deve-se observar se era uma criança mais calma e ficou mais agressiva, se passou a responder de formas diferentes aos pais, se o jovem tem ficado mais calado e triste, se tem se trancado mais no quarto, se diminuiu o número de amigos”, afirma a médica, lembrando que também é importante verificar se o filho tem como companhia pessoas mais violentas e agressivas.

Para a psiquiatra, os pais devem ter controle sempre sobre o que os filhos acessam na internet – sejam eles crianças ou adolescentes. Caso os pais não tenham conhecimento aprofundado sobre o assunto – a deep web exige uma expertise maior –, vale a pena buscar a ajuda de um profissional na área computacional.

Outra orientação da médica é conversar com pessoas que convivem com os adolescentes em ambientes diferentes do doméstico. “Além de observar as notas escolares, é importante conversar com professores, pedagogos, amigos mais próximos, para saber se houve uma mudança de comportamento”.

Ajuda profissional

Caso a família perceba que o adolescente usa a deep web para consumir discursos de ódio, Julia recomenda a procura por ajuda especializada. “Psicólogos e psiquiatras são os profissionais da saúde capacitados para identificar e tratar esse comportamento, para prevenir o desenvolvimento de um pensamento mais agressivo”, afirma Julia, reforçando a importância do constante diálogo entre pais e filhos.

A médica deixa claro que o fato de um adolescente frequentar a deep web não significa que ele se transformará em um assassino, como os autores dos massacres de Suzano ou Realengo. “Nem todos que foram expostos a esses grupos se tornam criminosos. Existem outros fatores entre os criminosos, como transtorno psiquiátrico ou de conduta”, explica.

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