No lugar de passeios esburacados e falhos, pistas niveladas. Nos parques e praças, bancos suficientes para um momento de descanso; rampas e corrimãos para garantir segurança. No trânsito, motoristas mais respeitosos, que dão a preferência, e um transporte público de qualidade, confortável e acessível. Com o aumento da expectativa de vida do brasileiro e o consequente envelhecimento da população, realidades como essa fazem-se cada vez mais necessárias em municípios que desejam oferecer condições básicas para melhorar a qualidade de vida dos moradores. 
 
Com mais de 300 mil habitantes com idade superior a 60 anos, Belo Horizonte é uma das tantas do mundo inteiro que almejam ser uma Cidade Amiga da Pessoa Idosa. O título, concedido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), premia municípios que adaptam suas realidades e desenvolvem políticas públicas voltadas para a terceira idade. As ações incluem adequação de áreas públicas e verdes, do transporte, inclusão social e melhorias nos serviços comunitários e de saúde. 
 
A expectativa é a de que, até o fim do ano, BH conheça o retrato dos idosos que tem. O diagnóstico servirá como base para a confecção do Plano Municipal do Idoso, que tratará de temas que merecem atenção especial. “O que nos motiva, em primeiro lugar, é a população em crescimento. Idoso hoje não é passado, é futuro. É a faixa etária que estatisticamente mais cresce no país. E se a cidade é boa para o idoso, será, com certeza, boa para todos”, afirma a secretaria municipal de Políticas Sociais, Luzia Ferreira. 
 
ACESSIBILIDADE
 
Segundo ela, dentre os principais desafios que a cidade tem pela frente estão a mobilidade urbana, que inclui o trânsito e a segurança nele, e a estrutura oferecida pelo transporte público. “Como toda cidade grande, BH ainda é um pouco agressiva, sobretudo pela quantidade de carros no trânsito. Precisamos garantir mais segurança ao idoso durante as travessias e melhorar a acessibilidade dos ônibus, que são muito altos”, reforça.
 
A aposentada Letícia Maria Horta, de 77 anos, garante não ter problemas ao atravessar as ruas e avenidas da cidade, mas conta que entrar no ônibus, por exemplo, tem sido cada dia mais difícil. “Depois que operei o fêmur, tenho tido dificuldade para subir. O degrau é muito alto. Além disso, os assentos preferenciais quase nunca são respeitados. Nisso, a cidade ainda precisa melhorar”, comenta.
 
SEM PISO BAIXO
 
A BHTrans informou que 2.713 ônibus da cidade são equipados com elevadores, o que corresponde a mais de 90% da frota. Sobre a ocupação dos assentos prioritários, reservados para idosos, gestantes e pessoas com dificuldade de locomoção, que ficam na parte da frente dos veículos, a empresa informou que a fiscalização ao cumprimento das regras cabe aos agentes de bordo e motoristas. 
 
Mais de 164 mil idosos que vivem na capital utilizam o cartão BHBus Master, que dá direito a acessar, gratuitamente, no salão traseiro dos ônibus.
 
“Um passo posterior ao diagnóstico é a construção de um plano municipal que irá abranger projetos e medidas para esse público. A maioria das deliberações é voltada a lazer, saúde e mobilidade”, diz Rosangela Gomes da Silva, co-coordenadora do Diagnóstico do Idoso e membro do Conselho Municipal do Idoso.
 
 
Praças e parques apresentam falhas simples de se resolver
 
O artista plástico Gabriel de Oliveira Costa Filho, de 70 anos, é um dos milhares de brasileiros adeptos da prática esportiva em contato com a natureza. Em Belo Horizonte, no entanto, encontrar caminho livre para chegar à Praça JK, na zona Sul, de onde é frequentador assíduo, nem sempre tem sido fácil. 
 
“Gosto de vir aqui, mas os passeios precisam melhorar muito. Recentemente, passei 60 dias de gesso na perna depois de quebrar o tornozelo ao enfiar o pé num buraco. Os passeios são desnivelados, quebrados, e isso oferece risco a quem anda a pé”, reclama.
 
DESLEIXO
 
O aposentado Jorge Ferreira, de 68 anos, engrossa as críticas. Segundo ele, falta fiscalização para garantir respeito às regras e qualidade às vias públicas.
 
“Não tem um lugar por onde passamos e não encontramos problema. É buraco, bueiro destampado, pedras soltas”, enumera. 
 
A Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (SMSU) informa que cabe ao proprietário do imóvel a manutenção das calçadas e que realiza cerca de 60 vistorias, por dia, para atestar o cumprimento das exigências. Em caso de descumprimento, o morador é notificado e pode ser multado.
 
Já a Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap) diz que as obras de recapeamento das vias fazem parte de um programa contínuo, que abrange as nove regiões da cidade, e que o cronograma de manutenção é elaborado com base em uma lista de prioridades.
 
MAIS VERDE
 
No quesito estrutura nas áreas verdes, BH também tem o que melhorar. Pelo menos é o que dizem os frequentadores com mais de 60 anos. Assentos nem sempre suficientes para o número de visitantes e ausência de rampas com piso antiderrapante e apoio para as mãos são poréns em grande parte dos 73 parques municipais da capital. 
 
Nem o Municipal, maior e mais antiga área verde da cidade, passa ileso. “Acho gostoso passear por lá, mas às vezes fica difícil subir uma escada sem corrimão”, argumenta a empresária Cristina Soares, de 66 anos.
 
Segundo a Fundação de Parques Municipais (FPM), as adaptações das áreas são priorizadas nos espaços de convivência. Em nota, a FPM informou que os espaços que ainda necessitam se adequar aos parâmetros internacionais terão obras finalizadas até o fim do ano que vem.
 
 
Mais de 2 mil inscritos nos programas do Sesc Minas
 
Gratuitas, ao ar livre, em museus, praças ou salões de dança. Atividades recreativas não faltam para incluir os idosos de Belo Horizonte na vida social e cultural da cidade. Um dos pioneiros na elaboração dos projetos voltados para a terceira idade é o Sesc MG, que oferece mais de 20 programas específicos para quem já passou dos 60 anos. Só na capital, são 2.031 idosos inscritos.
 
O objetivo das ações é promover um envelhecimento ativo, dar mais qualidade de vida e proporcionar convívio e participação social a todos. “São atividades socioeducativas que visam à melhoria da qualidade de vida, o fortalecimento das relações e a inclusão social, já que muitas vezes o idoso acaba ficando afastado da convivência com os outros”, reforça a gerente da unidade Sesc Desportivo, na região Oeste da capital, Regiane Conceição da Rocha.
 
Dentre as atividades propostas estão a prática de tai chi chuan, espécie de meditação, e lian gong (ginástica chinesa), cursos de dança, de teatro, coral, seresta, oficinas da memória e de trabalhos manuais. A participação depende de um cadastro breve, que consiste numa espécie de inscrição, cujo valor anual é de R$ 25.
 
NOVE REGIÕES
 
A Fundação Municipal de Cultura também oferta cursos e oficinas artísticas nas áreas de artes visuais, circo, dança, música, teatro e até de patrimônio cultural – atividades realizadas nas nove regiões da cidade. 
 
Para algumas, há limite de vagas, mas todas são abertas à participação dos idosos. Para se inscrever, basta procurar os espaços culturais correspondentes à atividade. 
 
Os endereços e telefones dos equipamentos culturais estão disponível no site bhfazcultura.pbh.gov.br
 
Arte - idoso