Alternativa para quem não consegue recarregar cartões BHBus por conta da falta de cobradores nos coletivos, a venda dos créditos eletrônicos em bancas de jornais da capital não tem data para começar. A comercialização já deveria estar disponível desde o mês passado, conforme lei sancionada em abril deste ano pela prefeitura. Porém, até agora, o serviço não saiu do papel.

Nem mesmo os donos das bancas têm informações de como será a implantação na metrópole. Na última sexta-feira, o Hoje em Dia esteve em 30 estabelecimentos de três bairros da região Centro-Sul de Belo Horizonte. Em todas, os vendedores disseram ter muitas dúvidas. Comerciantes afirmam não terem recebido avisos nem sido chamados para debater o assunto.

Na área hospitalar, Cláudia Silva, que há pouco mais de três décadas vende jornais e revistas na região, diz apenas ter “ouvido por alto” comentários sobre o novo serviço. Alguns clientes já a abordaram para solicitar as recargas.

A procura a faz avaliar a medida como positiva. “Muita gente que vem aqui tem pouco dinheiro e esse serviço os ajudaria demais. Eu adotaria”, diz. A comerciante, no entanto, sugere um sistema de fácil manuseio. “Que pudesse ser feito como nessas máquinas de vendas do rotativo”.

Outro vendedores, porém, não devem aderir. “Mesmo se estivesse sabendo e se a taxa fosse pequena, não iria aceitar. É uma confusão de troco para ganhar muito pouco”, afirma Jânio Guedes, que há 23 anos está à frente de uma unidade na avenida Afonso Pena, no hipercentro.

Há ainda os que consideram a venda de créditos eletrônicos em locais fora dos ônibus e das estações uma forma de “maquiar” a ausências dos agentes de bordo nos coletivos. Conforme o Hoje em Dia tem mostrado, as multas aplicadas pela BHTrans devido à falta dos profissionais já chegou a R$ 10 milhões. Nenhuma delas foi paga aos cofres públicos.

“Ideal, mesmo, seria ter trocador. Sempre vai ter alguém sem cartão e com dinheiro”, analisa Mônica Moreira, responsável por uma banca de jornais e revistas na Savassi. 

Ela não sabe se vai ofertar o serviço quando o mesmo for disponibilizado. “Depende da contrapartida”, afirma.

Para a estudante Isadora Linhares, de 22 anos, a ampliação dos locais para recarregar o cartão de passagens é bem-vinda. Moradora da região da Pampulha, em várias ocasiões já foi obrigada a ir até a estação do Move para adquirir os bilhetes eletrônicos. 

“Antigamente, conseguia colocar os créditos no ônibus, com o trocador. Era bem mais fácil. Agora, sem ele, tem que ver outras possibilidades. Tem uma banca na porta da minha casa e a ideia é muito boa”.

Conforme o Hoje em Dia mostrou na semana passada, 14 mil multas foram aplicadas às empresas de ônibus por ausência de trocadores

Retornos

Procurado pela reportagem, o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros (Setra-BH) informou que a instalação do sistema que atende à nova legislação está pronto, dependendo apenas do aval dos órgãos reguladores para ser colocado em prática.

Já a BHTrans disse, por nota, realizar os últimos ajustes para a publicação da regulamentação da norma.

A equipe de reportagem também fez contato, por telefone e e-mail, com o Sindicato dos Vendedores de Jornais e Revistas de Belo Horizonte (Sinvejor). Porém, a entidade não retornou até o fechamento desta edição.

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