O vereador Marcos Alves de Lima (PDSC), de Naque, no Leste de Minas, acusado de assassinar a tiros o prefeito do município, Hélio Pinto de Carvalho (PSDB), o Hélio da Fazendinha, teria premeditado o crime. A informação foi divulgada pela Polícia Civil (PC) nesta sexta-feira (2), após a conclusão do inquérito, que apontou que o homicídio aconteceu por conta de uma disputa por divisas de terreno do parlamentar. O suspeito foi indiciado por homicídio qualificado por motivo fútil, premeditação e por impossibilitar a defesa da vítima. 

Ainda segundo a corporação, na cidade existia um loteamento formal e regularizado pela prefeitura e outro informal e irregular, de propriedade do vereador. Como a área de Marcos não contava com acesso à via pública, por estar no fundo de um imóvel da prefeitura, ele pretendia fazer uma saída para sua propriedade usando parte do loteamento regular. 

"Por ser um vereador de oposição, esse clima de animosidade do vereador com o prefeito também se exacerbou", pontuou o delegado João Luiz Martins Barbosa, responsável pela investigação. A conclusão dos policiais sobre a premeditação do crime foi feita com base no relato de três testemunhas oculares, que viram quando o parlamentar chegou a cavalo e esbarrou, propositalmente no prefeito. 

Depois disso, Marcos teria desmontado e a discussão se acirrou. "Surpreendentemente, em dado momento, o suspeito dá as costas para a vítima e grita: 'Bate, Hélio! Pode bater para eu te matar', o que confirmou a premeditação do crime", explicou o delegado.

Logo em seguida, o suspeito sacou a arma de uma pochete, sendo que uma testemunha chegou a alertar o prefeito, que tentou correr, mas acabou baleado pelas costas após se afastar cerca de oito metros. Após a vítima cair, o político ainda foi até ele e efetuou outros dois disparos. Para a polícia, isso descaracterizou a versão do atirador, de que teria agido em legítima defesa. 

Todos os detalhes do dia do crime foram obtidos após uma reconstituição, feita pela PC no dia 23 de julho. Marcos Alves tentou fugir, tendo sido preso no dia 16 de julho em Vitória, capital do Espírito Santo. O vereador chegou a ser preso em flagrante na cidade de Governador Valadares, na região do Rio Doce, mas foi solto após audiência de custódia. Durante a fuga, ele chegou a pintar o cabelo e passar por sessões de bronzeamento artificial, ainda de acordo com a instituição. 

Suspeito é indiciado

Após a conclusão do inquérito, o vereador Marcos Alves foi indiciado à Justiça pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), na última quinta-feira (1º). Para os promotores, o político executou a vítima com disparos de arma de fogo, com os agravantes de motivação fútil e com emprego de recurso que dificultou a defesa da vítima. 

Ainda conforme a denúncia do MPMG, após atirar no prefeito, o vereador correu com a arma apontada para uma testemunha, ameaçando atirar contra ela caso ela ajudasse a socorrer a vítima. "O vereador está preso preventivamente, no Presídio de Açucena, após tentativa de fuga para o Estado do Espírito Santo", completou o órgão.  

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