“O ideal é o paladar perceber o sabor doce naturalmente presente nos alimentos, sem adicionar açúcar ou adoçante” (Ana Carolina Barbosa, nutricionista e professora das Faculdades Kennedy)

Um dos queridinhos por muita gente nas dietas para perda de peso, o adoçante artificial voltou a ser alvo de polêmica. Estudo internacional divulgado recentemente indica que o produto pode, na verdade, fazer mais mal do que bem – e até aumentar os quilos. Para especialistas, vale a velha máxima: o substituto do açúcar deve entrar no cardápio somente em casos de necessidade.

A pesquisa da Universidade do Sul da Austrália baseou-se em trabalhos anteriores sobre os efeitos da sacarina, estévia, ciclamato, aspartame, acesulfame-K, sucralose, neotame e advantame no organismo. 

Conforme o resultado do estudo, consumidores de adoçantes com essas substâncias têm maior probabilidade de engordar em relação a quem prefere a versão açucarada. Há também mais chances de desenvolver diabetes do tipo 2, quando o pâncreas não produz insulina suficiente para controlar a taxa glicêmica.

Cautela

A conclusão dos pesquisadores requer cautela, afirma a professora Ana Carolina Barbosa Duarte, do curso de Nutrição das Faculdades Kennedy. Ela diz não ser possível afirmar que o alimento alternativo ao açúcar promove perda ou ganho de peso.

“Mesmo quando recomendado por profissionais de saúde, não deve ser usado à vontade, tem que ser o mínimo possível. Além disso, o emagrecimento está dentro de um contexto que envolve atividades físicas e reeducação alimentar, com frutas, verduras e legumes. Não é nada isolado”, observa.

Não é para todos

A especialista destaca que nem toda pessoa deve acrescentar o produto artificial ao cardápio. A indicação é para pacientes com obesidade e diabéticos. Em se tratando de crianças, a recomendação é ainda mais restrita.

Sendo sintético, o adoçante não é bem-vindo no organismo. “Nesses casos, há um trabalho enorme para expulsar a substância do corpo e, se isso não acontece, causa problemas como dores de cabeça e irritabilidade, dentre outros”, frisa Ana Carolina Barbosa.

Naturais

Até mesmo a estévia, que ganhou as mesas dos brasileiros nos últimos anos, merece atenção.

Embora tenha origem natural, o produto passa à condição artificial quando processado pela indústria. “Assim como os outros tipos, deve ser consumido com moderação. Em excesso, a estévia pode causar desconforto abdominal e gases”, explica o nutricionista Matheus Motta, do programa Vigilantes do Peso.

O especialista recomenda seguir as orientações descritas na embalagem do adoçante. Dentre as informações importantes está a proporção a ser usada, comparada à quantidade de açúcar equivalente.

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