Um médico de 26 anos, morador de Caratinga (297 quilômetros de Belo Horizonte), no leste de Minas Gerais, desistiu de trabalhar no Mais Médicos em sua própria cidade por causa da vinculação de três anos exigida pelo programa federal.

Formado há dois anos, Luiz Henrique Laguardia Rocha está em busca de uma residência médica e por isso consultou o governo federal para saber se poderia deixar o programa a qualquer tempo.

Diante da resposta de que teria que devolver todo o dinheiro recebido se sair antes de completar os três anos, decidiu não assumir a vaga para a qual se inscrevera. "Eu disse então [à pessoa que o atendeu no Mais Médicos] que não ia participar e cancelei minha inscrição. Foi por motivos pessoais mesmo", disse Rocha.

Embora trabalhe mediante contrato com a Prefeitura de Caratinga desde julho passado, o médico disse que se inscreveu no programa orientado pela própria prefeitura. "Eu vim para trabalhar pela prefeitura, recebendo pela prefeitura, e me instruíram que eu procurasse o Mais Médicos. Mas como fiquei sabendo que ia ter que devolver dinheiro, saí fora", disse Rocha, que recebe R$ 8 mil mensais pelo município, enquanto o governo federal paga R$ 10 mil no programa em questão.

O médico disse que seu nome já está no Cadastro Nacional de Saúde e que, por isso, não poderia trocar o município pelo governo federal. "Não sei se vão me mandar embora para colocar outro médico. Todo médico, desde que lançou esse programa, fica com esse medo. Mas ninguém falou nada comigo sobre exigência ou mandar eu sair para entrar alguém", disse.

Rocha trabalha em um posto chamado Esperança 1, no bairro Santa Cruz. As condições, segundo ele, são precárias. "Faltam coisas, e isso é normal. Falta exame, estrutura", disse.

A reportagem questionou a Prefeitura de Caratinga sobre a orientação relatada pelo médico e ainda aguarda resposta.