Após reunião entre representantes da comunidade, da Companhia Siderúrgica Nacional e da Prefeitura de Congonhas, na região Central do Estado, na noite dessa terça-feira (29), moradores do bairro Residencial Gualter Monteiro - o mais próximo da barragem da mina Casa de Pedra - entregaram à direção da mineradora CSN uma reivindicação para a secagem da mina na cidade. 

De acordo com a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), a barragem citada tem aproximadamente 76 metros de altura e capacidade de acúmulo de cerca de 50 milhões de metros cúbicos de rejeito. Além disso, é classificada como Classe 6, a mais alta em categoria de risco e de dano potencial associados.

A CSN confirmou a agenda para recepção de representantes da comunidade, mas ainda não se posicionou sobre as demandas apresentadas. 

Segundo a prefeitura, uma multidão de moradores de toda a cidade participou da reunião dessa terça-feira. O temor é que se repita em Congonhas algo semelhante ao ocorrido em Mariana, na região Central do Estado, e Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. 

Na cidade, o posicionamento oficial da prefeitura é contrário a um novo alteamento da barragem da mina Casa de Pedra, processo solicitado pela CSN em 15 de dezembro de 2011. 

A Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Congonhas ainda estuda a sugestão de criação de projeto de lei que proíba o alteamento de barragens na área urbana do município e exija que, juntamente com a declaração de estabilidade, as empresas encaminhem uma declaração de anuência do diretor e de seu presidente, sob pena de responsabilização nas esferas civis e criminais no caso de rompimento. 

Por fim, ainda é estudado a implementação de políticas para que as empresas promovam o descomissionamento de barragens e adotem novas tecnologias de beneficiamento e disposição de rejeito que não utilizem de barragens.

Histórias de medo

reunião

Moradores se reuniram com prefeito para pedir secagem imediata da barragem

Dos 42 anos da comerciante de mercearia Valéria Tavares, os últimos 28 foram vividos no bairro Residencial Gualter Monteiro, a apenas 200 metros da barragem da mina, que segundo a CSN, é a mais antiga em operação no mundo, com 105 anos de funcionamento. Para Valéria, a sensação é de angústia diante do local. 

"O medo é pior à noite. É um monstro perto da gente", afirmou. "Tem que secar aquilo tudo. A barragem de Brumadinho era 'pequena' perto da nossa", relatou a mulher, que mora com o marido e a filha de 16 anos no local. Segundo ela, sua mãe, de 67 anos, foi levada para uma Upa nessa terça-feira (29) após uma crise de pânico. "Ela quer ir embora daqui", contou. 

Já a enfermeira Ingrid Faria, 22, deixou o bairro há poucos meses e se mudou para outro, mais alto, para fugir da mina. "Muito antes de Fundão, em Mariana, a gente já se preocupava com essa barragem. Ela é mais alta que a maior parte da cidade. Começa a chover, todo mundo já fica com medo aqui", afirmou. 

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