Belo Horizonte pode estar a pouco mais de uma semana para a volta às aulas, pelo menos na educação infantil. Suspenso há 11 meses, desde o início da pandemia da Covid-19, o novo ensino presencial está pronto para ser colocado em prática na maioria dos colégios a partir de março. Uma das principais mudanças será quanto à capacidade de alunos nas salas de aula. 

Segundo protocolo da PBH, deverá haver o máximo de 50% da capacidade de alunos na sala de aula, respeitando o distanciamento de, no mínimo, 1,5m entre os estudantes e as respectivas carteiras. A área para o professor deverá ser delimitada em 2 metros a partir do quadro (parede) e mais 2 metros do limite de sua área de atuação até a primeira carteira do aluno. O tempo de aulas é de 4 horas e meia. Insumos, como o álcool em gel e máscaras, já foram adquiridos e devem durar seis meses. O investimento inicial é de R$ 14 milhões.

Na quinta (18) e na sexta-feira (19), a secretaria informou ao Hoje em Dia que o limite por sala seria de 12 estudantes, com atividades de até 4 horas. No entanto, neste sábado (20), a prefeitura entrou em contato com a reportagem e disse que o protocolo mudou.

 “A entrega dos itens já está praticamente concluída em todas as unidades. Temos algumas coisas que não foram entregues em razão de alguma troca que não aprovamos a amostra”, assegura a subsecretária municipal de Educação, Natália Araújo.

Nesta semana, a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) enviou um questionário às famílias para saber se os pais irão mandar os filhos às escolas. Os números ainda não estão fechados, mas segundo Natália, “muita gente” tem respondido que prefere aguardar.

Por conta disso, a expectativa é de menos alunos nas salas, facilitando as medidas do protocolo de segurança contra o novo coronavírus e, inclusive, evitando o revezamento dos estudantes nas escolas. Essa possibilidade, no entanto, não está descartada pela PBH.

No fim de 2020, o prefeito Alexandre Kalil afirmou que o assunto “volta às aulas” só seria discutido em fevereiro caso os índices que monitoram a pandemia indicassem melhora. Após o Natal e Réveillon, o número de infectados explodiu, obrigando recuo na flexibilização do comércio.

“Ao contrário do que a gente imaginava, houve um aumento nos índices depois das festas do fim do ano. Então, houve um retrocesso nessa conversa, que ficou adiada para março”, disse Natália Araújo.

Pais
As regras também serão aplicadas na rede particular. Por enquanto, não há previsão de retorno para as demais séries. Em meio à expectativa, o tema segue dividindo os pais. A advogada e professora universitária Maria Juliana Bernardes, de 48 anos, que tem filhos de 9 e 12 em escola privada, acredita que a saúde e educação são prioridades, e ensino a distância não é suficiente. 

“Estamos pleiteando uma volta gradual, consciente, com protocolos, longe de radicalismos. A escola tinha que ser prioridade, tinha que ter vindo antes dos outros, mas seguindo protocolos, e já vimos que eles funcionam”, disse.

Por outro lado, a arquiteta Daniela Barros, de 36 anos, afirmou que não levará a filha para o colégio, pois a menina é muito nova. A mãe prefere esperar a imunização. “Tenho medo que ela pegue Covid. Como tem 2 anos, não tem necessidade de ir agora”, avaliou.

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