As evidências sobre a volta de infratores ao mundo do crime são altas, mas adolescentes que conseguiram dar a volta por cima e se recuperar são exemplos claros de que ainda existe esperança.

Aos 18 anos, Sandra (nome fictício) trabalha como repositora de estoque na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Quem a vê junto às prateleiras não imagina que ela cometeu um homicídio há um ano.

SUBMUNDO

A reviravolta na vida da garota começou quando ela conheceu o submundo do tráfico, aos 16 anos. “No início, eu era apenas usuária de droga. Mas, com o passar do tempo, também comecei a vender maconha, crack e cocaína”.

Sandra diz que, uma vez envolvida com bandidos perigosos, deixar o crime ficou difícil. Além disso, a dependência química a obrigava a conviver quase que diariamente com os traficantes.

SOBREVIVÊNCIA

Participar da guerra do tráfico, porém, teve um preço. E alto. Numa disputa entre gangues por bocas de fumo, Sandra precisou se defender. Na luta pela vida, afirma, matou o inimigo.

“Não tive alternativa. Era eu ou ele”, conta. Após o assassinato, a adolescente foi apreendida e encaminhada para uma unidade de internação em Belo Horizonte, onde ficou acautelada por cerca de um ano.

Há dois meses, após ganhar a liberdade, a jovem foi contratada para trabalhar em um mercado.

“A internação foi importante. Longe dos bandidos, voltei a estudar e tive acesso a vários cursos profissionalizantes, como primeiros socorros e telemarketing”, diz.

“Quero levar uma vida tranquila e ser técnica em mecânica de automóveis, como meus irmãos”.

Sandra destaca que, no dia em que acabou de cumprir pena, procurou a direção da unidade de internação em busca de uma oportunidade. E conseguiu. Incluída no Programa Fica Vivo, foi contratada por um estabelecimento comercial.

FICA VIVO

De acordo com a Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds), as atividades do programa são baseadas em dois eixos de atuação: intervenção estratégica e proteção social.

O grupo de intervenção estratégica reúne as polícias Civil e Militar, o Corpo de Bombeiros, o Poder Judiciário, o Ministério Público, a UFMG e as prefeituras municipais. Tem como responsabilidade planejar e coordenar uma repressão qualificada e eficiente ao crime.

Já o eixo voltado para a proteção social articula ações de atendimento e trabalho em rede, para jovens de 12 a 24 anos. A proposta é favorecer a construção de modos de vida sem envolvimento direto com a criminalidade.

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