Antes de atirar contra fiéis que estavam na Igreja Batista Shalon, em Paracatu, na noite dessa terça-feira, Rudson Aragão Guimarães, de 39 anos, teria dito que tinha acabado de “voltar do inferno para matar o pastor”. Em entrevista ao Hoje em Dia, o tenente-coronel Luís Magalhães, comandante do 45º Batalhão da Polícia Militar, informou que religiosos que estavam no templo no momento do massacre detalharam a ação aos militares. 

“Ele estava com uma fala desconexa. Disse que tinha acabado de retornar do inferno para matar o pastor”, contou Magalhães. O líder religioso, entretanto, não foi baleado, pois correu ao perceber a ação de Rudson. Enquanto tentava fugir do homem, o pastor acabou tendo uma lesão no tornozelo. 

O militar relatou, ainda, que testemunhas disseram à corporação que Rudson estava insatisfeito com um afastamento da igreja. “Ele foi afastado. Desempenhava questões administrativas e parece que não aceitou muito bem isso”, contou. O motivo para o afastamento seria um possível envolvimento com drogas, além de ocorrências de surtos psiquiátricos, revelou o tenente-coronel.

Rudson Aragão tem uma passagem pela polícia por tráfico de drogas. O registro, entretanto, foi realizado “há mais de dez anos”, disse Magalhães. 

Morte da ex

Em conversa com a irmã e a mãe de Rudson, elas revelaram à Polícia Militar que o casal mantinha uma relação conturbada. "Elas disseram que eles estavam indo e vindo, não estavam com um relacionamento consolidado", disse o tenente-coronel. Heloísa Vieira tinha 59 anos. Ela foi o primeiro alvo de Rudson. A mulher estava na casa da ex-sogra quando foi atacada com golpes de faca e morreu.

Após matar a ex-companheira, o homem foi até a Igreja Batista Shalon onde atirou e matou o pai do pastor, Antônio Rama, de 67 anos, e duas religiosas, Rosângela Albernaz, de 50, e Marilene Martinho de Melo Neto, de 52 anos. Policiais militares chegaram rápido ao templo religioso e atiraram duas vezes contra Rudson para contê-lo. 

Os disparos acertaram região do ombro esquerdo e da orelha esquerda. "Os policiais agiram em legítima defesa", garantiu o comandante Luís Magalhães. Rudson foi soldado da Aeronáutica até 2003, quando acabou o período obrigatório, segundo informou a Força Aérea Brasileira.

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