O governador Romeu Zema (Novo) propôs aos servidores da segurança pública de Minas, que fazem um protesto na MG-010, na noite desta sexta (22), em frente à Cidade Administrativa, na região Norte de BH, o adiantamento do pagamento do 13º salário em duas vezes, sendo 80% em maio e o restante em junho, em substituição ao parcelamento previsto inicialmente em 11 vezes.

A nova proposta foi levada aos manifestantes, que recusaram e decidiram manter o bloqueio da rodovia. A informação foi passada pelo deputado estadual Sargento Rodrigues (PTB), que participou da reunião com Zema. De acordo com o parlamentar, seis deputados federais e quatro estaduais estiveram no encontro.

"Ouvimos a proposta do governador e trouxemos para o servidores, mas eles não aceitaram. Então a via continua interditada. A essa hora, muita gente já deve ter até perdido voo em Confins", afirmou o deputado. Uma nova reunião está prevista para as 21h30 com os manifestantes para que seja definido até que horas o protesto seguirá.

Dia de protestos

Cerca de dois mil servidores da segurança pública bloquearam os dois sentidos da MG-010, principal via de acesso à sede do executivo estadual e a municípios do vetor Norte da Região Metropolitana de Belo Horizonte, além do aeroporto de Confins. Segundo a Polícia Militar Rodoviária (PMRv), servidores queimaram caixões na rodovia e fecharam o tráfego nos dois sentidos, sem previsão de liberação. 

 A organização do movimento começou no início da tarde desta sexta na Praça da Estação, onde os servidores deliberaram que continuariam o protesto em frente ao Palácio Tiradentes, na sede do governo estadual. A principal pauta defendida pelo movimento é o pagamento integral do 13º salário de 2018, que representa uma parte da dívida bilionária deixada pelo governo anterior. 

Segundo o presidente do Sindpol, Zé Maria de Paula, os manifestantes decidiram fechar a rodovia porque a reunião que acontece no local para discutir as reivindicações ainda não havia trazido resultados. "Estamos aqui reunidos desde 14h aqui esperando por respostas. O pessoal está revoltado e agora são mais de dois mil policiais indo fechar a rodovia", justificou.

Por causa da obstrução da via, as lideranças que comandaram o protesto serão multadas em R$ 50 mil. Segundo a assessoria de imprensa do executivo estadual, a multa foi determinada porque no acordo proposto aos servidores, havia uma solicitação de que a manifestação não afetasse a população, principalmente o direito de ir e vir. Questionado sobre a natureza da decisão, o governo afirmou que ela partiu de uma decisão judicial cujo mandado de intimação foi cumprido às 13h desta sexta. A assessoria ainda afirmou que a multa já está incidindo desde o horário do cumprimento do mandado e o montante para a execução no processo será apurado.

Outras pautas

O pagamento integral do 13º é a principal, mas não é a única pauta defendida pelos protestantes. O Sindipol-MG afirmou que os servidores também exigem que o governo volte a pagar o salário no quinto dia útil, que faça a reposição inflacionária e quite a dívida com o Instituto de Previdência dos Servidores do Estado de Minas Gerais (Ipsemg) e com o Instituto de Previdência dos Servidores Militares do Estado de Minas Gerais (IPSM).

Uma das reclamações dos servidores é que o Estado alega estar quebrado, mas os servidores do legislativo e os do judiciário continuam recebendo seus salários integralmente, o que acabaria levando os funcionários alocados no Executivo a pagar a conta sozinhos.

As mobilizações, de acordo com Sindpol-MG, já vêm sendo articuladas desde a posse do governo de Zema, quando ele disse que continuaria parcelando os vencimentos e que o 13º seria pago da mesma forma. Nesta sexta-feira (22), o governo enviou à imprensa uma nota de esclarecimento na qual afirma que o Estado passa pela pior crise financeira de sua história e que é um dos estados mais endividados do Brasil. 

De acordo com a nota, a dívida do governo com restos a pagar e déficit do último exercício chega a mais de R$ 24 bilhões. Nesse montante, estão inseridas dívidas com fornecedores, 13º de 2018 com os servidores, repasses aos municípios retidos, entre outros.

"Diante deste panorama, o Governo de Minas Gerais trabalha para reequilibrar suas contas, com o objetivo de reduzir despesas, com urgência, para haver a retomada da capacidade de pagamento dos compromissos do Estado. (...) O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, está aberto ao diálogo para apresentar com transparência a verdadeira situação financeira do Estado, já abordada nesta nota de esclarecimento. E, principalmente, o que está sendo feito para sanar as contas em aberto com servidores, prefeitos e fornecedores", diz parte da nota.

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