Vinte e quatro bebês perderam a vida após contrair zika em Minas nos últimos quatro anos. Esse é o total de vítimas da doença, que não matou nenhum adulto. O número consta em boletim divulgado pelo Ministério da Saúde sobre a epidemia no país. A letalidade é considerada alta por especialistas, que classificam a enfermidade como branda, apesar de, em casos graves, causar complicações neurológicas.

Zika

A fragilidade dos recém-nascidos, que não têm anticorpos suficientes para combater o vírus transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, explica os óbitos. A maioria dos doentes no Estado também é formada por crianças. Dos 148 casos registrados – de outubro 2015 a outubro de 2019 – 114 foram em meninos e meninas com até 28 dias de vida.

Adultos

Muitos mineiros podem ter contraído a doença, sem manifestar os sintomas. Isso ajuda a explicar a baixa contaminação de adultos, afirma o virologista da UFMG Flávio Fonseca. “Como é uma enfermidade muito branda, o próprio corpo da pessoa trabalha no combate, sem que ela saiba”.

O especialista diz que as chances de um novo surto no verão são remotas. “Não esperamos grandes quantidades de casos como nos últimos quatro anos”, disse o pesquisador, que ainda fez uma comparação: “a principal diferença é que a dengue tem vários sorotipos, o que dificulta que ela acabe. Já a zika tem apenas um”.

Em Belo Horizonte, 19 casos suspeitos de zika são investigados ; até o momento, foram três confirmações da doença na capital

Complicações

Há casos de microcefalia entre os pacientes, segundo a Secretaria de Estado de Saúde (SES). O total de bebês com má-formação no cérebro não foi informado, mas a pasta garante que acompanha todos.

Diretora de Vigilância de Agravos Transmissíveis da SES, Janaína Fonseca Almeida destaca que as notificações de zika estão em queda desde 2017. Ela acredita que, em 2020, a taxa de contaminação seja ainda menor. “Mas é importante frisar que o transmissor é o Aedes. É preciso ter consciência e não deixar água parada, evitando a proliferação do mosquito”.

Ações

Medidas para barrar novas epidemias têm sido adotadas em Minas. Geoprocessamento e aplicativos para verificar o índice de infestação do vetor, armadilhas para o inseto e inseticidas mais potentes integram as ações. Algumas são desenvolvidas por meio de parceria com universidades.

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