A Zona 30 começa a sair do papel em Belo Horizonte. Obras para a implantação do projeto, que prevê a redução do limite de velocidade dos carros, para dar mais segurança para pedestres, começaram neste mês em ruas do bairro Santa Efigênia, região Leste da cidade. A iniciativa busca proteger quem anda a pé, de bicicleta ou tem mobilidade reduzida, como deficientes físicos.

Intervenções já estão sendo feitas nas ruas dos Otoni, na esquina com avenida Alfredo Balena; e Padre Rolim, na altura da avenida Bernardo Monteiro, vias que ficam perto de unidades de saúde. As primeiras escolhidas, conforme a BHTrans, têm perfil de tráfego de menor velocidade e com grande fluxo de crianças e idosos. Não há prazo para a conclusão das intervenções. 

Nestes locais haverá alterações de forma a estreitar a passagem de veículos nas esquinas, forçando o motorista a colocar o pé no freio e trafegar a 30 km/h, no máximo. “O mais importante é desenhar a área de forma diferente, mostrando que ali não se tolera alta velocidade. Outras medidas são necessárias, como alargamento de calçadas, instalação de travessias elevadas e mudanças nas opções de estacionamento. São iniciativas que começam a ser adotadas na região hospitalar”, explica Eveline Trevisan, coordenadora de Sustentabilidade e Meio Ambiente do órgão.

Placas indicando a velocidade permitida, conforme a gestora, serão instaladas no próximo ano. Radares eletrônicos não devem ser utilizados nesses casos.

A implantação segue tendência mundial de tornar as cidades mais amigáveis para pedestres. No Brasil, Rio de Janeiro, São Paulo e Curitiba já têm projetos semelhantes

Sustentável

Eveline Trevisan afirma que a preocupação do poder público é tornar o trânsito mais sustentável e não somente mais rápido para carros e ônibus. 

Especialista em engenharia de transporte e trânsito, Márcio Aguiar elogia a iniciativa, mas avalia que trafegar a 30 km/h pode prejudicar a fluidez nas vias. “O carro praticamente para nessas velocidade”, comenta.

Segundo ele, há risco de congestionamento caso a velocidade seja reduzida drasticamente. “Mas acredito que funcione se utilizada de forma pontual, como para a travessia do pedestre, recorrendo a artifícios físicos, como quebra-molas e travessias elevadas. Para uma área maior, considero que 40 km/h seria o ideal”, opinou.

Expansão

No próximo ano, a Zona 30 será implantada em mais vias da região hospitalar e do bairro Cachoeirinha, Nordeste da metrópole. Ainda em 2019, a prefeitura vai avaliar o sistema para estudar a expansão para outras regiões da capital. 

Além da fluidez do trânsito, serão analisados a aceitação da população, o respeito dos motoristas e a qualidade do ar, de acordo com Eveline Trevisan, da BHTrans. A expectativa é a de que, com a medida, haja queda no número de acidentes e atropelamentos.