Mansões de bairros da zona Sul de Belo Horizonte se assemelham a fortalezas tamanha a parafernália empregada para garantir a segurança. Cercas elétricas e de arame farpado, sistemas de monitoramento de câmeras, alarmes, cães de guarda e até vigilantes fortemente armados são usados na tentativa de buscar tranquilidade. 

O fenômeno urbano “presos dentro de casa” é comum em bairros como Santa Lúcia, Cidade Jardim e Belvedere, visitados na sexta-feira (9) pela reportagem do Hoje em Dia. Mesmo a parceria com a Polícia Militar na chamada Rede de Vizinhos Protegidos não consegue reduzir a sensação de insegurança. 
 
Visibilidade
 
E com todo esse aparato, a classe “A” continua alvo de ações violentas. Para o filósofo Robson Sávio Reis Souza, membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, crimes contra o patrimônio ou contra a vida, em bairros de alto padrão, ganham muita visibilidade na mídia. 
 
“Isso gera a propagação de um sentimento de insegurança que apenas a polícia repressiva não resolve. Não há como colocar um policial na frente de cada casa”, avalia Souza. Ele acredita que a polícia precisa agir com inteligência para estar à frente e evitar o crime, em vez de apenas correr atrás dos bandidos, como vem acontecendo”.
 
Segurança paga
 
No bairro Cidade Jardim, muitas casas têm um vigilante armado 24 horas, contratado de empresas especializadas, ou policiais aposentados que atuam em sistema de rodízio. 
 
Apenas empregados ou vigilantes atendem ao interfone. Alguns moradores se sentem acuados dentro de casa e reclamam da ausência de viaturas policiais e de rondas pelas ruas. “Pedimos tudo por telefone ou internet”, admite um morador. 
 
O chefe do Comando de Policiamento da Capital (CPC), coronel Rogério Andrade, garante que o policiamento preventivo foi reforçado nos bairros da zona Sul.
 
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