Enquanto taxistas e motoristas do Uber travam uma batalha por passageiros em Belo Horizonte, um novo aplicativo tende a resolver os problemas do transporte de forma bem simples e antiga: a carona solidária. Lançado há cerca de dois meses, o Zumpy, desenvolvido pelo arquiteto urbanista André Andrade, já tem mais de 4 mil usuários e 17 mil rotas cadastrados.

“Queríamos uma iniciativa para melhorar o trânsito da cidade. Sabemos que 70% dos carros andam só com o motorista. O transporte público é ruim. Então, pensamos numa ferramenta para que as pessoas que fazem a mesma rota, no mesmo horário, possam se encontrar com segurança e praticidade para se locomover juntas”, explica André.

O aplicativo pode ser baixado gratuitamente pela internet, para androide e IOS, e quem oferece carona não pode cobrar pela “gentileza”. Para incentivar motoristas e caroneiros a usarem a plataforma, há uma moeda virtual, o “z-money”, que o usuário acumula a cada acesso.

“Você troca a moeda por descontos na rede de parceiros, como postos de gasolina, casas noturnas e salões de beleza”, diz o arquiteto. À medida que vai acumulando os pontos, o usuário vai subindo de nível. Quanto mais alto, mais benefícios. “No nível mais elevado, a pessoa pode comprar gasolina a R$ 1,99 e etanol a R$ 0,99”, exemplifica.

Denúncia

O motorista que cobrar pela carona pode ser denunciado pelos usuários no próprio e fica sujeito à exclusão do grupo. “Já é uma filosofia nossa ser gratuito, é informado que não se pode cobrar”, ressalta André.

Para o criador do Zumpy, a lucratividade estará na publicidade que irá vender assim que ampliar a base de usuários.

Segurança

O aplicativo é conectado ao Facebook e ao Google +. Dessa forma, o usuário tem opção de pegar ou dar carona apenas para seu ciclo de contatos. Outra alternativa é criar grupos.

O empresário Renê Neves faz parte de um grupo que vai ao Mineirão em dias de jogos. “Algumas vezes dou carona e outras vou de carona. Quem usa, pode qualificar o motorista com estrelas”, diz.

Para Renê, além de ser simples de usar e oferecer benefícios, o aplicativo é uma boa alternativa para solucionar o problema do trânsito. “A ideia é positiva, reduz o número de carros nas ruas”.

Especialista em direito de trânsito condena autuação do Uber por transporte ilegal

A autuação de motoristas do Uber por transporte irregular de passageiro é ilegal, na avaliação do advogado especialista em direito de trânsito, Lucas Gontijo. Na semana passada, um condutor vinculado ao aplicativo foi multado em frente ao Fórum Lafayette, no Barro Preto, Centro-Sul da capital.

A ação foi baseada no Código de Trânsito, que coíbe o transporte irregular de passageiro. Entretanto, no entendimento do advogado, o Uber não se enquadra nessa situação, pois o cliente não é captado na rua. “O Uber é a contratação de um serviço de transporte que envolve o carro e o motorista, como se fosse locação”, diz.

Segundo ele, enquanto a Justiça não se pronunciar sobre a possível irregularidade do aplicativo, a atividade não pode ser considerada ilegal.

Para o presidente do Sindicato dos Condutores Autônomos e Taxistas de BH, Ricardo Faedda, a multa foi devidamente aplicada. “Devemos coibir a atuação clandestina, uma vez que o transporte remunerado de até sete passageiros é exclusividade do taxista, conforme lei federal”.