Hotelaria do interior puxa recuperação do setor em Minas

André Santos
andre.vieira@hojeemdia.com.br
19/10/2021 às 20:47.
Atualizado em 05/12/2021 às 06:05
 (Loram Finguerman/Sesc/Divulgacao)

(Loram Finguerman/Sesc/Divulgacao)

Após pelo menos 16 meses de dificuldades, quartos vazios e poucos hóspedes, devido à pandemia de Covid-19, a hotelaria mineira está sentindo uma retomada das atividades. Dados da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de Minas Gerais (Abih-MG) mostram que o percentual de ocupação da hotelaria em Belo Horizonte chegou a 48,3% em julho, 14 pontos percentuais a mais que no mês anterior, cuja taxa ficou em 34,3 %, e 32 pontos de diferença em relação a fevereiro, quando a ocupação chegou ao patamar de apenas 16% dos leitos. 

O aumento no fluxo da hotelaria é puxado principalmente pelo turismo regional e de final de semana, principalmente nas cidades históricas e outros pontos turísticos do Estado, como a Serra do Cipó, Sul de Minas e Lago de Furnas. Hotéis voltados para este segmento já tem registrado ocupações totais dos leitos em outubro. É o caso, por exemplo, dos cinco hotéis da Rede Sesc em Minas Gerais. As unidades, que ficam em Ouro Preto, Araxá, Poços de Caldas, Venda Nova e Contagem, passaram todos os finais de semana de outubro com ocupação máxima, recebendo aproximadamente 3.600 visitantes até agora, neste mês. “A liberação da ocupação máxima e o desejo das pessoas por programas diferentes e próximos à suas moradias têm ajudado a intensificar esse movimento”, avalia Manoela Lucke Marques, gerente de Turismo Social e Hospitalidade do Sesc em Minas Gerais.

Retomada lenta

Por outro lado, o turismo de negócios e eventos – uma das marcas de cidades como Belo Horizonte, Juiz de Fora e Uberlândia – ainda patina e não consegue atrair maior fluxo de turistas. De acordo com Maarten van Sluy, consultor estratégico em turismo e hotelaria, fatores como o preço das passagens aéreas e a grande quantidade de eventos híbridos e on-line ainda são obstáculos para uma retomada mais forte deste segmento. “Infelizmente ainda vamos esperar um período maior para termos as grandes feiras e congressos, como éramos acostumados. Neste segmento, a recuperação plena ainda demora pelo menos uns dois anos”, afirma Maarten.

Semana do Turismo

Em meio aos esforços para recuperação do pleno movimento na hotelaria mineira, acontece a partir de hoje até sábado, em Belo Horizonte, a 6ª Semana do Turismo. O evento, que é organizado pelo Sistema Fecomércio-MG, Sesc, Senac e sindicatos empresariais, vai debater as potencialidades e gargalos do setor, avaliando soluções para superar a crise. A analista de turismo da Fecomércio-MG, Milena Soares, afirma que o encontro é importante para a integração da cadeia produtiva ligada ao turismo, principalmente das atividades turísticas e o comércio. “Esses dois setores foram impactados profundamente pela pandemia de Covid-19 e precisaram inovar para se manter”, explica.

Um dos principais obstáculos enfrentados atualmente pelo setor é a contratação de pessoal especializado para atuar nos hotéis. Dados do Observatório do Turismo de Minas Gerais (OTMG), ligado à Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais (Secult), estimam que, desde o início do ano, o setor já preencheu mais de 12 mil novas vagas de trabalho, 5.000 dessas somente em agosto. A previsão é que 100 mil empregos sejam criados na área em 15 meses. “Hoje existe uma grande demanda, em especial por camareiras e recepcionistas, mas o problema é que os salários ainda não estão atrativos. Com isso, esse pessoal especializado que saiu do ramo da hotelaria na pandemia e foi para outros segmentos ainda não se sente atraído a voltar”, explica o consultor estratégico em turismo e hotelaria, Maarten van Sluys.

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