'Inflação do aluguel' sobe em outubro e já chega a 21,73% em 12 meses

André Santos
andre.vieira@hojeemdia.com.br
28/10/2021 às 20:04.
Atualizado em 05/12/2021 às 06:09
 (Arte HD)

(Arte HD)

O Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) – principal indexador de contratos de aluguel – teve nova alta em outubro. De acordo com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), o índice ficou em 0,64%, perfazendo um total de 16,71% no ano e de 21.73% no acumulado dos últimos 12 meses.
Desde o ano passado, o índice tem tido elevações acima da inflação. Para se ter uma noção da escalada de crescimento do IGP-M, em abril de 2020 – primeiro mês de impacto da pandemia da Covid-19 –, o acumulado dos 12 meses do índice chegava a 6,69%. Um ano depois, em abril de 2021, chegou a 32,033%. No entanto, desde junho deste ano, o IGP-M teve crescimento abaixo de 1%.

Para Flávia Vieira, vice-presidente das administradoras de imóveis da Câmara do Mercado Imobiliário (CMI/Secovi-MG), o índice está em desaceleração, mas ainda é cedo para cravar uma tendência de queda. “É preciso muita cautela. Ainda não dá para falarmos que estamos vivendo uma tendência de queda. Existe muita incerteza, tanto no mercado interno como no externo”, explica Flávia. 

Impacto

Com os preços em disparada, os imóveis destinados para locação comercial sofrem mais impactos. Um dos setores que mais recorrem aos aluguéis é o de bares e restaurantes. Dados da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes em Minas Gerais (Abrasel-MG) mostram que aproximadamente 3% dos estabelecimentos possuem imóveis próprios. Segundo o presidente da entidade, Matheus Daniel, o aluguel representa entre 3% e 8% de todo o custo operacional de um bar ou restaurante. Com a disparada do IGP-M, alguns negócios passam a ficar inviáveis. “Tem toda uma infraestrutura que precisa ser montada, de água, esgoto, energia elétrica, além do ponto, que se torna referência para os clientes. Então se torna inviável mudar de imóvel. Tem que haver bom senso das partes que negociam o contrato”, defende o presidente da Abrasel-MG.

As dificuldades de mercado também existem para quem busca um imóvel residencial. A jornalista Priscila Mendes, 36, iniciou a busca de um novo lugar para morar há três meses, mas, diante das poucas opções disponíveis, preferiu iniciar negociações para renovar o contrato da casa onde mora. “Saímos à procura, mas, no fim das contas, achamos melhor ficar onde estamos. As opções não compensam”, disse a jornalista.

Negociação

Em um panorama tão complexo e de fortes altas, buscar negociações é o melhor caminho. “Os donos dos imóveis devem sempre buscar o entendimento. Muitas vezes, vale fazer uma análise de mercado e propor uma equiparação de valores, ao invés de aplicar o IGP-M. Vale mesmo, neste momento, é o bom senso”, afirma Kênio Pereira, presidente da Comissão de Direito Imobiliário da OAB-MG.

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