Em 2012, quando Sergio Krakowski esteve em Belo Horizonte para participar do show de lançamento do primeiro disco de Tulio Araujo, “Manguera”, o pandeirista carioca deu uma dica ao amigo: conferir o show que o pianista israelense Shai Maestro estava fazendo na Fundação de Educação Artística. Uma sugestão que acabou mudando a carreira do pandeirista mineiro.
“Fiquei chocado com o som, tecnicamente complexo, mas com uma sonoridade convidativa, popular”, lembra Tulio, que a partir dali passou a investir em uma pesquisa sobre a música oriental feita em países como Israel, Marrocos, Turquia, Grécia e Egito.
Dois anos após o início da pesquisa, Tulio lança nesta quarta-feira (20) o álbum “East”, totalmente influenciado pela sonoridade que o encantou. Um detalhe simbólico: na mesma Fundação de Educação Artística onde viu o inspirador
Shai Maestro. Assim como em “Manguera”, o pandeiro é o protagonista do trabalho, mas, dessa vez, a percussão do Oriente Médio e dos Bálcãs é a fonte de inspiração.
Para o desenvolvimento do projeto, o músico contou com a parceria do violonista Felipe Vilas Boas – responsável pela direção musical do trabalho e autor de seis das nove faixas do álbum.
“Falei para o Felipe o que queria nesse trabalho. Ano passado, viajei a Nova York e, quando voltei, as músicas estavam compostas. As composições são dele, mas o planejamento de todo trabalho foi feito em conjunto”, afirma o pandeirista.
O repertório conta ainda com uma composição entre Tulio e Marcos Danilo (a canção “Luciane”, em homenagem à irmã do pandeirista, morta ano passado, com participação da paulista Dani Gurgel, emprestando sua voz), uma de Deangelo Silva (que assina a produção musical do álbum) e uma de Tiago Araujo.
Nova York
Tulio embarca mês que vem para os Estados Unidos, para participar pela segunda vez do “Savassi Festival NY” (que será realizado na Big Apple entre 7 e 13 de setembro). Será uma oportunidade para mostrar aos americanos as músicas de seus dois discos, apresentadas ao lado de Felipe Vilas Boas e Andres Malagon (americano que morou em BH).
Como conseguiu conciliar a oportunidade musical com seu trabalho na área de computação, Tulio poderá ficar nos Estados Unidos por dois meses. Por enquanto, acertou mais um show em Nova York e uma participação em um festival em São Francisco. Também fará um workshop em Chicago, aos moldes das aulas gratuitas que realiza em praças públicas de BH. “Quero aproveitar para fortalecer contatos e conseguir entrar para a The New School for Jazz, em Nova York”, diz.
SAIBA MAIS
Programação do festival nesta quarta
18h: Jazz sub-17: escola Pró-Music, no Anfiteatro do Pátio Savassi (av. do Contorno, 6061, Savassi). Gratuito
20h: Vinicius Mendes, no Anfiteatro do Pátio Savassi. Gratuito
20h: Brascubazz com Chris Washburne, no Cine Theatro Brasil (Praça Sete, Centro). R$ 20 e R$ 10 (meia)
20h: Túlio Araújo, na Fundação de Educação Artística (rua Gonçalves Dias, 320, Funcionários). R$ 10 e R$ 5 (meia)
20h: Lage Lund Trio (Noruega), no Centro Cultural Banco do Brasil (Praça da Liberdade, 450, Funcionários). R$ 10 e R$ 5 (meia)
20h: Simon Spang-Hanssen Brazilian Quintet (Dinamarca/ Brasil), no Café com Letras Savassi (rua Antônio de Albuquerque, 781, Savassi). R$ 12,50
Confira a programação completa do festival no www.hojeemdia.com.br
Wazzabi mistura Brasil e Dinamarca
Parte da programação do “Savassi Festival” é oriunda da parceria do evento com Instituto Cultura da Dinamarca e as embaixadas da Espanha e da Noruega. A partir disso, o festival pôde contar com shows de Lage Lund Trio (nesta quarta, no CCBB), Simon Spang-Hanssen Brazilian Quintet (nesta quarta, no Café com Letras), Eladio Reinón quartet (sábado e domingo, no Café com Letras), Phronesis (sábado e domingo, no Café com Letras) e Wazzabi (sábado, no CCCP).
Duo formado por dois dinamarqueses interessados em música brasileira, o Wazzabi se mostra uma opção para quem quer curtir o “Savassi Festival” madrugada adentro – o show acontece no CCCP, a partir das 23h de sábado.
O grupo apresenta o repertório de “Na Farofa”, álbum feito e lançado no Brasil pela YB Music. A construção se deu à distância: enquanto o baterista Anders Hentze estava radicado em Brasília, o guitarrista Thor Madsen permanecia em Copenhague. Mas o trabalho focado em música brasileira já vinha sendo desenvolvido há anos, quando os dois tocavam em bares do East Village, em Nova York, com amigos brasileiros. O casamento de Anders com uma brasileira contribuiu ainda mais para a mistura.
“Criamos e gravamos esboços, bases, ideias em Copenhague, desenvolvendo o núcleo desse novo som e, ao mesmo tempo, procurando parceiros via nossos contatos no Brasil”, conta Anders, que tem Tom Zé como
principal referência para o álbum.
“O título ‘Na Farofa’ descreve uma mistura entre a linguagem do rock e jazz contemporâneo de europeus que passaram por Nova York com a música brasileira. Algo que resulta em uma sonoridade difícil de ser classificada”.
FAROFA
Assim como uma boa farofa, os dinamarqueses fizeram uma mistura variada de ingredientes, contando em seu disco com as participações de Iara Rennó, Leo Cavalcanti e Ava Rocha.
“A nossa música é encarada como diferente por aqui. A construção segue caminhos que fogem um pouco do que o público está acostumado a ouvir no Brasil. O universo harmônico é diferente, a produção sonora também, e tem ritmos misturando vários estilos”, afirma o baterista dinamarquês. “A gente naturalmente mistura coisas que não se pode misturar no Brasil: música instrumental com música vocal, acústica com eletrônica, íntima com grandiosa, e em cima disso somos uma banda nacional e internacional”.
Wazzabi no CCCP (rua Levindo Lopes, 358). Sábado, às 23h. R$ 30