A campanha “Dezembro Laranja” não soa como novidade na prevenção do câncer de pele, mas o mês de janeiro já bate à porta convidando para curtir as tão sonhadas férias, com atividades ao ar livre e sobretudo com o alerta de proteger a pele. Basta dizer que a radiação solar é intensa no verão.

"A gente mora em um país tropical, onde o índice de radiação do sol é muito alto; e o principal fator que acelera o processo de envelhecimento da pele, do aparecimento de manchas e do câncer de pele é justamente o efeito cumulativo dessa radiação”, alerta o dermatologista Bruno Vargas, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e sócio da clínica Inovatto na capital.

A incorporação do hábito de usar diariamente o filtro solar (e reaplicá-lo pelo menos mais duas vezes ao dia) deve se estender a toda a população. Importante frisar que a aplicação do protetor solar deve ser feita 30 minutos antes da exposição ao sol (e também em dias nublados), para que a pele absorva o produto. Caso haja transpiração excessiva ou contato com a água, o filtro tem que ser aplicado de forma generosa e uniforme em todas as partes de corpo, incluindo mãos, orelhas, nuca, pés e cabeça de quem é calvo ou raspou a cabeça.

Hábito adquirido
Para a biomédica técnica da Adcos Eidi France, não faz parte da cultura do brasileiro usar o filtro solar. “Cerca de 25% dos cânceres diagnosticados são de pele e, segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), 62% da população não aplicam o filtro solar antes da exposição ao sol”. Os dados soam mais alarmantes, segundo ela, quando se referem ao público masculino. “Do total de 62% da população, 70% dos homens não usam protetores solares”.

Em crianças, o filtro solar só pode ser aplicado a partir dos seis meses de idade. “O ideal é pedir orientação a um pediatra ou a um dermatologista. O fator de proteção solar deve ser 30 ou mais”, atesta a dermatologista Maria Imaculada Milagres, integrante do Comitê de Especialidades da Unimed-BH. Ela ressalta que é preciso que crianças e jovens criem o hábito de usar o protetor solar diariamente, pois o total de 75% da radiação acumulada durante toda a vida ocorre até os 20 anos.

“Qualquer pessoa, em qualquer idade, pode ter câncer de pele. É mais comum a doença aparecer em pessoas mais velhas pelo acúmulo de radiação ao longo da vida. E também em pessoas de pele mais clara pela menor concentração de melanina, pigmento que atua como proteção. Pacientes negros ou morenos têm mais melanina e, teoricamente, estão mais protegidos.

Mas se for abusar do sol, pode ter câncer de pele. Além disso, o melanoma (que não necessariamente está associado à exposição ao sol e pode surgir em área coberta) é um tipo de câncer que pode acometer paciente negro”, considera Bruno.

Pesquisa do Instituto Nacional de Câncer (INCA) constatou que o câncer de pele é atualmente o que mais acomete a população brasileira. E os números tendem a crescer em 2016 quando são estimados cerca de 181.436 novos casos, sendo 97.586 em mulheres e 83.850 em homens.

Para Bruno Vargas, a distribuição do filtro solar deveria ser feita gratuitamente pelo governo. “O filtro solar é o principal fator que vai agir preventivamente. O custo que o governo vai ter em tratar um câncer estabelecido e na prevenção da doença é infinitamente menor com a compra do filtro”.

Tecnologia a favor da proteção solar

 

O consumidor não deve ignorar as informações contidas no rótulo do protetor solar. “Para se proteger dos raios UVA, responsáveis por causar o câncer de pele, o filtro deve conter a sigla PPD (do inglês, Persistent Pigment Darkening). O FPS é responsável por proteger contra os raios UVB. Para proteger contra os raios UVA, o PPD deve ser de pelo menos um terço do FPS, então um FPS 30 deve ter um PPD mínimo de 10”, explica Eidi France.

“Desde julho de 2014, passou a vigorar determinação da Anvisa para que os protetores solares deveriam conter na embalagem o FPS com a numeração do lado e também a sigla PPD (Persistent Pigment Darkening).

As inovações na formulações dos protetores solares originaram os famosos produtos dois em um<, que protegem e tratam a pele.

“Além de ter melhorado a cosmética e as formulações, pela própria evolução da ciência e da tecnologia, as pessoas estão mais conscientes do uso do protetor. Há 30 anos, ninguém usava o produto”, destaca o dermatologista Bruno Vargas. A tecnologia aplicada aos dermocosméticos, de acordo com Eidi France, contribuiu para o surgimento de fotoprotetores com ativos de controle da oleosidade; com ação hidratante; de ação anti-idade e por aí vai. Uma das principais inovações é o protetor solar com tonalizante, que funciona como uma base de maquiagem.

“Para quem trabalha à noite em ambiente bastante iluminado, o ideal é usar um filtro físico (branco ou colorido) que proteja contra a luz visível. O filtro com base (cor) é bem-vindo para proteção da luz visível. Ele cobre as imperfeições e protege um pouco mais”, afirma Bruno Vargas.

No verão também é importante usar chapéu e roupas de algodão nas atividades ao ar livre, pois os materiais retêm cerca de 90% das radiação UV. O ideal é evitar a exposição solar entre 10 e 16 horas. Atenção para machucados ou feridas que não se cicatrizam, pinta que coça, sangra ou mudou de formato e tamanho. Esses são sinais de que alguma coisa está errada e você deve procurar um dermatologista.