O próximo dia 7 de novembro será marcante na trajetória da jornalista e blogueira Bruna Miranda, 32 anos. Na ocasião, ela, a fotógrafa Silvia Vasconcellos e a designer Luna Siqueira, lançam, no Espaço Benfeitoria (Floresta), o Guia Slow Lifestyle, com mapeamento de empresas que trabalham com a estética slow. “O guia, feito em papel ecológico e impressão a cera, tem como base o minimalismo brasileiro casado com o consumo consciente”, afirma Bruna que criou alguns símbolos para caracterizar iniciativas diferenciadas dentro do conceito slow. “A pessoa vê a empresa, vê o símbolo que a empresa é caracterizada, para entender e valorizar um pouco mais deste universo”, acrescenta Bruna, o nome por trás da plataforma sustentável Review Slow Lifestyle, que trabalha conteúdos, faz mapeamento de marcas e também oferece serviço de curadoria para marcas e pessoas que queiram se engajar em produção e consumo conscientes.

Passado

Sócia e responsável pela comunicação e marketing do Velvet Club, da Mambo Drinkeria e também uma das criadoras do blog Ameixa Japonesa (sobre tendências, moda, cultura e lazer), Bruna, uma apaixonada por moda e festas, jogou tudo para o alto no final de 2011 e, em 2012, foi morar em Paris. “A viagem me trouxe a sensação de que eu não precisava de tanta coisa material, porque fiquei quase seis meses vivendo com duas malas”.
De volta ao Brasil, Bruna pensou, repensou valores e decidiu doar roupas, bolsas, calçados, maquiagens e outros itens.

“Doei mais de 60% do que tinha. No meu conceito de armário-cápsula, eu não contabilizo o número de peças. Eu sei tudo o que tenho no armário e uso tudo”. Tirando o fato de que Bruna hoje se veste rapidinho porque já fez uma seleção do que realmente tem a ver com ela, a moça lapidou estilo próprio. “Meu estilo é clássico, básico, com alguns toques. Gosto muito de preto e branco. Redescobri a cor neutra, que dá para usar com muita coisa. Não gosto de roupas chamativas e marcantes porque vou usar pouco, enjoa, é modismo, tendência...”.

Momento único

Ao encarar as lentes do fotógrafo Eugênio Moraes, Bruna abusou da criatividade e mesclou peças de seu armário-cápsula no lindo editorial feito na Casa Amora (na Savassi). Além da dupla preto e branco, Bruna mantém uma cartela sóbria de cinza e nude. Para ela, tem que ter no armário camisetas em geral, jeans e sapatilhas. O pulo do gato em suas produções são os acessórios. “Prefiro investir mais em acessórios do que em roupas para variar os look. É um truque bacana e fica completamente diferente. Dependendo do sapato, da bolsa, do brinco, do colar, você consegue ir de uma produção básica até um look noite”.

O novo momento de Bruna veio de encontro com a intenção de mergulhar em uma moda focada em questões culturais, artísticas e sustentáveis. Em 2013, ela desenvolveu o site Exemplar ID junto com a amiga Bruna Vallejos (que havia morado na Alemanha, um dos países mais sustentáveis do mundo).

Nova consciência

Com o retorno da amiga Bruna para a Alemanha, o Exemplar ID acabou. Em suas novas pesquisas, Bruna conheceu o projeto Fashion Revolution, movimento criado com o objetivo de evitar acidentes como o do Rana Plaza, em Bangladesh, que matou quase 1.200 pessoas em 2013. Logo depois, ela conheceu e fez contato com a coordenadora do Fashion Revolution Brasil, Fernanda Simon, com quem passou a realizar encontros e ações pelos quatro cantos do país.

Para Bruna, não existe nada mais falso na moda do que o deslumbre. “Tudo em excesso é ruim. O deslumbre na moda faz a pessoa acreditar que, para ser alguém bacana e legal, tem que ter tal coisa ou pertencer a um determinado grupo. Isso é cruel. Foge da realidade, do que realmente somos”.