Ser criança é poder se jogar no bolo de chocolate, lambuzar o rosto de brigadeiro, rolar na areia para fazer lindos castelos, esperar pela Fadinha do Dente e ter a felicidade nas pequenas e mais simples coisas da vida. É ser simples, não complicar. Amar puramente, se doar e não esperar. Encantar-se por tudo e dar muitas gargalhadas. É também abrir a boca e gritar de chorar simplesmente porque está com vontade. É colocar para fora os sentimentos e, depois disso, voltar ao eixo com emoções zeradas.

Deixar a casa de cabeça para baixo. Mas qual é a graça de uma casa sem criança? Um vazio absurdo, um silêncio ensurdecedor, uma angústia sem explicação. Criança é vida, é bagunça gostosa, cambalhota no sofá. Brincar de fazer a barba como o pai ou se maquiar como a mamãe.

No mundo agitado em que vivemos hoje, infelizmente muitas crianças estão sobrecarregadas, com excesso de tarefas e com menos tempo para as brincadeiras, que também são importantes para o crescimento e aprendizado. O que se vê são algumas crianças estressadas e até mesmo angustiadas. Acrescentando a esse quadro, pais que trabalham muito e, consequentemente, têm menos tempo para os filhos, delegando não raramente a educação e tarefas que deveriam ser conferidas a eles.

Resultado? Pais permissivos e crianças sem limites. Aquela famosa frase “Quem ama, educa”, não é lugar-comum e deveria permear a cabeça dos pais constantemente, já que carregam a culpa por não conseguirem se dedicar mais seu tempo aos filhos. Assim, acabam deixando de falar o “não”, tão necessário à educação.

De acordo com a psicóloga infantil Carolina Perrella, as tarefas devem ser organizadas de forma que os pequenos tenham o máximo de prazer possível. Ela aconselha que as crianças brinquem com o mínimo de tecnologia. “Devem, como antigamente, optarem por brincadeiras que tenham contato com pessoas. O contato com o outro é extremamente importante e está em falta hoje em dia”, pontua.

Para os pais que têm o tempo escasso, Carolina sugere algumas atitudes que fazem toda a diferença no emocional de uma criança. “Precisam criar um tempo de qualidade. Mesmo que não tenha quantidade, mas que seja de qualidade. Devem estar completamente presentes com a criança naquele momento. Evitar multitarefas: pai ou mãe atender ao celular ou responder a um e-mail enquanto está com os filhos, por exemplo. A atenção é fundamental e a criança percebe quando está dividindo essa atenção”.

Carolina ainda complementa que, para uma criança ser feliz, basta ser amada. “Amor, atenção e cuidado são a chave para a felicidade. Se uma criança tem isso, o resto fica muito fácil. Ela vai ter autoestima para cultivar amizades, criar vínculos e ter prazer em realizar as atividades”, garante. Afinal, criança tem que ser criança. Amada e respeitada como criança.