Quando Davi Leão pedia, após os shows, para os espectadores curtirem as redes sociais da banda Poison Gas, a pergunta era sempre a mesma: como se escreve? “Havia essa dificuldade. Muitas vezes a galera não entendia o nome e tínhamos que ficar repetindo. Outros não conseguiam seguir a gente”, registra o baixista e vocalista.

fulgazBanda formada em 2016 já tem um álbum lançado, intitulado “Outro Jovem Sem Noção”

O problema linguístico resultou na mudança de nome do grupo mineiro, que, neste sábado, na casa de espetáculos Do Ar, fará o show de batismo da Fulgaz. A troca também marca a investida em músicas autorais, após o quarteto formado por Colen (guitarra e vocal), Pedro Henrique (guitarra solo) e Baino (bateria), além de Davi, se solidificar no cenário musical de Belo Horizonte como uma banda cover.

“Isso também pesou (na mudança de nome). As pessoas associavam Poison Gas com o nosso passado cover, que era marcado por músicas hard rock. Agora queremos cada vez mais nos dedicar ao autoral e, com isso, apresentar um estilo que vem evoluindo, com uma pegada mais brasileira”, assinala Davi.

No show, o grupo mineiro formado por quatro jovens de 16 anos e estudantes do colégio Santo Agostinho apresentará o single “Vira-Lata”. Com outros três singles já engatilhados, que serão lançados paulatinamente, a ideia é inclui-los num segundo álbum (o primeiro foi “Outro Jovem Sem Noção”, de 2019), a ser produzido no segundo semestre

Influências

A banda foi formada em 2016, a partir da reunião de quatro colegas de sala do colégio Santo Agostinho. Na época, tinham apenas 12 anos. “Na minha família, a gente sempre gostou de MPB. Meu pai passou a me mostrar algumas coisas de Beatles e eu comecei, por conta própria, a estudar mais. Tomei contato com o Rolling Stones, em seguida, e fui entrando neste universo”, registra o baixista, que é fã do performático Flea, do Red Hot Chilli Peppers.

Habitué de várias casas de rock da cidade, o antigo Poison Gas tocou clássicos que vão do rock progressivo ao heavy metal, ganhando fãs que tinham o dobro da idade deles. “A gente sempre tocou para uma galera mais velha, entre 30 e 40 anos. Agora, certamente, teremos um público mais novo que gosta de autoral, entre 15 e 22 anos, que passa a ser o nosso alvo”, registra o baixista.

A banda lançou, no ano passado, o álbum de estúdio “Outro Jovem Sem Noção”, só com inéditas. O disco ainda tinha uma forte influência do rock internacional, embora todas as músicas fossem cantadas em português. “Estamos tentando ousar mais e notamos que passamos a ter um som mais brasileiro, com melodias que lembram Gilberto Gil e Caetano Veloso. Uma prova disso é o single que estamos lançando, ‘Vira-Lata’, uma canção mais descontraída que fala de nosso complexo de ser brasileiro”, destaca.

SERVIÇO:

Quando: sábado (14)
Onde: Do Ar, localizada na rua Amoroso Costa, 32, no bairro Santa Lúcia