A obrigatoriedade do uso de uma ferramenta tecnológica em obras públicas no Brasil, prevista para 2028, pode ser adiantada em seis anos. Pelo menos é o que estuda a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI). A medida visa diminuir, por exemplo, os custos das construções do "Minha Casa, Minha Vida" em até 20%, a partir da modelagem em 3D. Isso porque o método reduz atrasos, contratempos e prejuízos.

A Building Information Modeling (BIM) (Modelagem de Informações da Construção, na tradução livre) é um modelo virtual que reúne todas as informações de uma edificação e trabalha com projeções tridimensionais mais fáceis de assimilar e mais fiéis ao produto final. 

De acordo com o presidente da Associação Brasileira de Engenharia de Sistemas Prediais de Minas Gerais (Abrasip-MG), Bruno Marciano, a técnica é revolucionária. "Com o uso do BIM, os envolvidos na obra terão acesso a todas as fases do projeto. Os cálculos da quantidade de material necessária para cada etapa serão mais precisos e a integração das informações permitirá antecipar falhas e problemas no processo antes da execução”, defende.

“A utilização de metodologias ultrapassadas evidencia orçamentos imprecisos às empresas, qualidade questionável e custos extras, que podem colocar em risco a saúde financeira da indústria"
Bruno Marciano
Presidente da Associação Brasileira de Engenharia de Sistemas Prediais de Minas Gerais (Abrasip-MG)

Já a vice-presidente de Recursos Associativos e Comunicação da Abrasip-MG, Carla de Paula Amaral Macedo, ressalta que os avanços tecnológicos, como robôs e inteligência artificial, trazem benefícios a todos os setores, e não seria diferente com a construção civil. "Conforme falado em palestra na segunda edição do SeBIM-MG, as melhoras são entre 10% e 25% na eficiência do trabalho, redução do consumo de energia entre 10% e 20% e os de gastos em manutenção entre 10% e 40%, além de outras vantagens", afirma a especialista.

O segundo Seminário BIM (SeBIM) foi realizado no último dia 26, em BH, reunindo cases do setor, novidades em inovação e atualizações das estratégias de BIM no Brasil pelo governo federal. 

Durante o evento, a secretária especial de Produtividade Emprego e Competitividade do Ministério da Economia, Talita Saito, assegurou que o uso da tecnologia resultará em "mais transparência nos processos, melhoria na gestão, aumento da produtividade, diminuição dos custos e dos prazos, melhora na comunicação e nos trabalhos colaborativos, maior rigor técnico, sustentabilidade, facilidade na detecção de conflitos, melhoria no desempenho e maior flexibilidade do trabalho”.