Com apenas 28 anos de idade, o secretário de Estado de Minas Gerais, Igor Eto, assumiu uma difícil e importante tarefa: garantir um bom relacionamento com a Assembleia Legislativa de Minas Gerais para que a Casa aprove projetos de lei tidos como bandeira do governo de Romeu Zema. Entre eles, a desestatização das empresas mineiras, como a Codemig. “A gente quer levar para a Assembleia, se assim for decidido pelo governador, uma discussão muito técnica e muito rica do ponto de vista de subsídio para tomar as decisões. Assim, nossos parlamentares poderão estar muito bem municiados para votar a favor ou contra a desestatização, se assim for o caso”, disse.

Em pouco mais de dois meses à frente da Pasta, o ‘braço direito’ do governador Zema já conseguiu na articulação com a Assembleia o remanejamento de emendas parlamentares para o combate à Covid-19 no Estado. “Liberamos R$ 178,3 milhões de emendas parlamentares voltadas exclusivamente para a saúde e especificamente para o combate ao coronavírus”, lembrou o secretário. 
Nesta entrevista ao Hoje em Dia, Igor Eto defendeu também a manutenção do veto a parte do polêmico projeto de lei que garantia a recomposição de 41,7% aos servidores da segurança pública. “Tenho conversado com todos eles (parlamentares) para que a gente consiga, o quanto antes, aprovar a manutenção do veto e já deixar como está sancionada a recomposição de 13%. Entendo que esse é o melhor acordo e tenho tido muita sensibilidade na Assembleia nesse sentido”. 
O recuo do Executivo, assegurando apenas 13% aos servidores da segurança pública, levou o deputado Bilac Pinto a pedir demissão da Secretaria de Governo.

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Igor Eto, secretário de Estado de Governo

Primeiramente, secretário, gostaria que me falasse um pouco sobre o senhor, a idade, se é casado, se tem filhos, sobre a sua qualificação profissional e como ingressou no mundo político.
Tenho 28 anos, sou solteiro, tenho uma filha de 3 anos. Sou administrador. Entrei na política em 2016, me filiando ao Partido Novo a partir da decisão genuína de poder contribuir um pouco com a mudança do nosso país. Eu tinha a necessidade de contribuir para melhorar o Brasil e entendi que esta era a melhor maneira.

Como se deu essa aproximação com o governador Romeu Zema?
Em 2017 eu fui convidado para ser diretor financeiro do partido Novo em Belo Horizonte. Em 2018 eu fui convidado para ser coordenador de administração da campanha do governador Romeu Zema, e foi aí que a gente começou a se aproximar. Ao final da campanha,  não tinha nenhuma pretensão de entrar para o governo ou de ocupar alguma posição dentro do governo de Minas, mas acabei sendo convidado pelo governador  para assumir o cargo de secretário-geral, que é, basicamente, um cargo de coordenação interna do governo. Um cargo que tem o objetivo de olhar para dentro do governo, apesar de o ponto focal ser o próprio governador.
Ele me convidou para aquele cargo porque precisava de alguém de confiança e muito leal a ele. Alguém que compreendesse o plano de governo dele de forma integral. Isso também se repetiu quando ele me convidou para assumir a Secretaria de governo. O governador  sabe da necessidade premente que esse governo tem de se aproximar da Assembleia. Ele entende que um secretário de Governo que consiga ter uma interlocução maior com a Assembleia tem que ser um secretário de Governo que goza de plena confiança do governador e, ao mesmo tempo, compreender na sua integridade qual é o plano do governador e que sabe de forma muito clara o que é possível consentir, o que não é possível consentir e deixar as conversas e as articulações mais fluidas, mais ágeis e mais assertivas.
 

O governador Romeu Zema citou a extrema confiança que deposita no senhor, quando o indicou para o cargo, e acredita que a sua juventude e energia seriam fundamentais para os enormes desafios no Estado. Nesses pouco mais de dois meses à frente da Secretaria, o senhor conseguiu estreitar essa parceria com a Assembleia, com os demais poderes e com os municípios?
Eu acredito que sim. Tenho tido contato frequente com todos os parlamentares, especialmente o presidente Agostinho Patrus, com quem tenho tido contato quase que diariamente. Ele vem sendo um grande parceiro e aberto às demandas do governo de Minas. Nós sabemos da dificuldade das pautas que a gente tem, e que isso demanda paciência, demanda muita articulação, muito convencimento do parlamento, mas o presidente vem sendo um grande parceiro, assim como todos os deputados estaduais e até mesmo os deputados federais, os prefeitos e os outros poderes também.

A pouca idade que o senhor tem é, muitas vezes, vista com um possível empecilho nessas costuras com o Legislativo. Como o senhor avalia isso? O que já foi feito de concreto nesse curto período à frente na nova Pasta?
Não enxergo minha idade como um empecilho. Eu acredito que, no fim das contas, quem consegue resolver os problemas é a pessoa mais adequada para o cargo, independente da idade ou da formação. Além disso, eu tenho sido muito bem recebido por todos os parlamentares, o que demonstra que temos mantido um contato mais próximo. Esse curto período à frente da Secretaria de Governo – nós não completamos nem 70 dias ainda no cargo, e ainda calhou de a minha posse ser exatamente no mesmo dia que o governador decretou estado de calamidade em Minas Gerais por causa do novo coronavírus – tem sido um momento muito mexido, um momento muito sui generis. Mas, ainda assim, nós já conseguimos logo nas primeiras semanas fazer um acordo muito grande com a Assembleia de remanejamento de emendas parlamentares para o coronavírus, para o combate da pandemia da Covid-19. Inclusive nós começamos a liberar nesta semana quase R$ 160 milhões de emendas parlamentares voltadas exclusivamente para a saúde e especificamente para o combate ao coronavírus. Do ponto de vista legislativo, começamos já a fazer os acordos para votar os vetos que estão travando a pauta. Eram 10 vetos, hoje nós temos oito vetos, nós já conseguimos avançar com dois de forma muito positiva para o governo do Estado e a gente também vem costurando sobre outras pautas na Casa. Nós temos a LDO para votar ainda no primeiro semestre, é uma pauta que já está sendo discutida com o parlamento e a nossa expectativa é conseguir avançar isso da melhor forma possível.
 

O senhor já é o terceiro a assumir a Pasta de Governo na gestão Zema. Quando Custódio Matos deixou o cargo, em agosto do ano passado, notícias nos bastidores davam conta de que a saída dele se deu devido à falta de interlocução com a Assembleia e à participação excessiva de tucanos no governo do Novo. Como está hoje essa participação do PSDB no governo e tem melhorado essa interlocução com a ALMG?
O PSDB é o maior partido do nosso bloco de apoio ao governo. A minha relação com o líder do bloco - Gustavo Valadares - é a melhor possível. Ele vem sendo um grande parceiro e tem demonstrado uma grandeza política muito expressiva ao abraçar as pautas deste governo, entendendo que elas são as pautas para Minas Gerais. Queremos a mesma coisa: entregar o estado de Minas Gerais em posição melhor do que a que ele ocupa hoje. O próprio ex-líder de governo, deputado Luiz Humberto, foi um verdadeiro guerreiro, durante mais de um ano que ele foi nosso líder de governo. E o próprio PSDB vem sendo um grande parceiro, assim como outros partidos também. Eu tenho dito que nenhum partido é capaz de sozinho resolver os enormes problemas que estão postos para todos em Minas Gerais. É preciso de uma união suprapartidária para a gente conseguir avançar na articulação e avançar na solução dos problemas. E nisso daí, eu gostaria de elogiar o trabalho também dos outros blocos parlamentares: o bloco liderado pelo deputado Cássio Soares, o bloco liderado pelo deputado Sávio Souza Cruz, que vem sendo propositivo, vem questionando e buscando junto ao governo estadual soluções para o nosso Estado. E posso dizer que o deputado André Quintão também, líder do bloco de oposição, vem fazendo uma oposição bastante propositiva, ponderando nossas diferenças de iniciativas, mas compreendendo as urgências do Estado. Acho que esse é um debate saudável, é assim que Minas Gerais cresce e é assim que Minas Gerais avança. Então, a relação com todos na Assembleia tem sido a melhor possível.
 

A imagem do governador Zema ficou muito arranhada na Assembleia, com críticas inclusive de deputados da base aliada, ao sancionar apenas parte do projeto que garantia a recomposição integral dos salários dos militares em mais de 41%. O senhor já conseguiu contornar essa situação?
Bom, sobre a questão da recomposição dos servidores militares, eu acho que depois ficou claro para todos a questão de que o governo do Estado não tem condição de prometer além do que a gente pode cumprir. O que eu tenho tentado explicar e sensibilizar os deputados estaduais na Assembleia é de que não tem razão do governo estadual se comprometer com alguma coisa que ele não poderá cumprir. E nesse sentido, eu tenho conversado com todos eles para que a gente consiga, o quanto antes, aprovar a manutenção do veto e já deixar como está sancionada a recomposição de 13%. Eu entendo que esse é o melhor acordo e eu tenho tido muita sensibilidade na Assembleia nesse sentido.

Essa saída do líder do governo na Assembleia, o deputado Luiz Humberto, que é também do PSDB, não dificulta ainda mais essa tentativa de reaproximação do Executivo com o Legislativo?
Eu já ponderei sobre a saída dele em pergunta anterior, mas sobre a falta de um líder de governo atual eu não enxergo assim. É um cargo muito importante, de fato, mas até pela situação e pelo contexto atual do coronavírus, como tem muitas coisas em andamento na Assembleia, a Casa  ainda está se ajustando a novas formas de trabalhar remotamente, com Silegis e outros sistemas. Nós estamos costurando com muita tranquilidade, conversando na Assembleia. É um cargo que necessita de muito trânsito com os parlamentares, com a mesa diretora, com o governo. Estamos escolhendo com muito carinho e muito cuidado esse cargo, sem pressa, tendo contato com vários parlamentares. Eu tenho percebido um contingente bastante grande de parlamentares dispostos a caminhar conosco nesse sentido, caminhar conosco na construção de uma base de apoio ao governo e vem sendo esse o nosso foco. Com certeza em breve anunciaremos o nosso líder de governo.

Entre os projetos do governo, que vão depender de um grande apoio dos parlamentares, estão os de privatização da Copasa, Cemig e Codemig. Como andam esses projetos? Parece que o da Copasa está mais adiantado, já inclusive com a divulgação de fato relevante ao mercado?
A pauta de desestatização é uma pauta que o governador Romeu Zema aborda desde a campanha. Ele nunca negou a sua intenção de trabalhar e de estudar as desestatizações como uma saída para os problemas fiscais do Estado, além de uma saída para conseguir ganho de eficiência e melhoria da prestação de serviços ao consumidor mineiro que é esse o foco principal, a gente não pode perder nunca essa prioridade de vista. Então a gente vem discutindo esses assuntos na Assembleia, agora tudo é uma questão de “timing” também. Não dá pra você querer priorizar tudo de uma vez. Então, a gente tem sim hoje na Assembleia, já está na Casa inclusive, a lei que trata sobre a desestatização da Codemig. Esse é o nosso foco nesse momento. Estamos trabalhando em diálogo com a Assembleia desde a sua colocação na Casa sobre essa lei. A gente sabe que não é um trato fácil de ser feito, mas estamos trabalhando muito nesse sentido. Especificamente sobre a Copasa, que teve a divulgação do Fato Relevante, a bem a verdade, tanto a Cemig, como a Copasa estão sendo tratadas de forma muito técnica sobre a desestatização. Quando você trata de desestatizar empresas do porte de Cemig e Copasa é preciso todo um preparo técnico por trás de análise de viabilidade de caminhos dessa situação. E é isso que foi divulgado no fato relevante. Não há ali nenhum movimento do governo de iniciar a desestatização dessas companhias, o que há ali é o governo começando a levantar questões técnicas, estudos técnicos que subsidiem primeiro, a decisão do governador de decidir se esse é de fato o melhor caminho e, segundo, em o governador avaliando isso, ele iniciar e subsidiar o poder Legislativo e a Assembleia, que é onde de fato a discussão vai acontecer e é lá que o povo mineiro é legitimamente representado. A gente quer levar para a Assembleia, se assim for decidido pelo governador, uma discussão muito técnica e muito rica do ponto de vista de subsídio para tomar as decisões. Assim, nossos parlamentares poderão estar muito bem municiados para votar a favor ou contra a desestatização se assim for o caso.

E em relação à reforma da previdência dos servidores do Estado? Este também é um projeto polêmico que vai exigir do governo Zema uma boa base na Assembleia... Quando deve ser levada à Casa legislativa? 
Sobre a previdência, também temos mantido contatos com a Assembleia. Minas Gerais hoje é um dos quatro ou cinco estados no Brasil que ainda não aprovou a sua previdência. Todos da Assembleia estão muito sensibilizados e cientes da necessidade que nós temos de aprovar essa pauta o quanto antes. Porém, a conversa vai acontecer no momento certo e com a devida urgência que ela merece. É um projeto que todos na Assembleia sabem que o governo vai ter que enviar em algum momento, e nós estamos conversando para poder fazer isso da melhor forma possível. Tenho certeza que no momento certo teremos a aprovação dele e a adesão de todos na Assembleia.

O governo reduziu o número de secretarias nesta gestão, mas a máquina pública continua inchada. Ainda não há recursos nem para pagar a folha de junho do funcionalismo público. Que medidas estão sendo adotadas para tentar minimizar essa situação?
Sempre trabalhamos para cortar custos, pois é um esforço contínuo e perene do nosso governo. E não é apenas cortar por cortar: é ser eficiente no gasto público, visando o melhor atendimento do cidadão em políticas públicas. Estamos juntando esforço de eficiência também por meio da automação. Em Minas Gerais, mais de 60% do serviço de atendimento aos cidadãos já podem ser feitos de forma digital. Isso alivia um pouco a máquina para que consigamos nos ajustar e gastar menos, entregando mais resultado ao cidadão.