Vender mais ingressos do que “Capitão Marvel” e “Dumbo” não chega a ser uma novidade para o cearense Halder Gomes. Diretor de “Cine Holliúdy 2 – A Chibata Sideral”, em cartaz nos cinemas, ele repete nesta continuação os mesmos ingredientes de “Cine Holliúdy” (2012) e “Shaolin do Sertão” (2018), que também derrubaram campeões de bilheteria na região Nordeste.

Cultura popular, paródia e diálogos rápidos e divertidos são a receita do sucesso. “Meu cinema é completamente influenciado pela cultura popular. Via muitos filmes do gênero nos anos 80, em videocassete, e senti que era a oportunidade de recomeçar. Neste último filme a gente faz espécie de metalinguagem do cinema americano, mas a partir de um universo nosso”.

Alienígenas

O cineasta cita os alienígenas que, na trama, inspiram a realização de uma ficção-científica no interior do Ceará – uma brincadeira com “ET” (1982), mas com a improvisação, o olhar e o cenário do Ceará. “Os aliens também fazem parte de nosso imaginário, sendo muito recorrentes por aqui”. No filme dentro do filme, os extraterrestres são combatidos por cangaceiros.

Não faltam observações sobre como os artistas têm sido tratados atualmente. “Em comédia, você pode falar de qualquer coisa, se a piada for boa. Com ela, podemos tocar pontos de reflexão. O artista representa o pensamento de um povo transformado em arte. Qual referência visual teríamos de nossa existência se não fossem as pinturas rupestres?”.

Gomes não nega a influência dos Trapalhões, especialmente na construção do protagonista, um herói que luta pela sobrevivência com imaginação. “O verdadeiro herói brasileiro é aquele que não tem capa ou máscara, que carrega a vontade de transformar o sonho em realidade. Os Trapalhões tinham essa pureza”, sublinha.

O sucesso do filme, que primeiramente estreou na região Nordeste, levou diretor e elenco a fazerem tour diário pelas salas de cinema do Ceará onde “Cine Holliúdy 2” tem sido exibido. “É forma de a gente agradecer a quem nos prestigia, algo que faz a diferença em relação às superproduções em cartaz”.