Casado com delegada

Assassino confesso de gari é indiciado por homicídio qualificado e pode pegar 35 anos de cadeia

Polícia apresentou detalhes da investigação nesta sexta-feira (29)

Bernardo Haddad e Gabriela de Castro*
Publicado em 29/08/2025 às 14:41.Atualizado em 29/08/2025 às 15:58.
Empresário, que confessou ter assassinado o gari Laudemir, é casado com delegada da Polícia Civil de Minas (Reprodução redes sociais)
Empresário, que confessou ter assassinado o gari Laudemir, é casado com delegada da Polícia Civil de Minas (Reprodução redes sociais)

O empresário Renê da Silva Nogueira Júnior, assassino confesso do gari Laudemir de Souza Fernandes, foi indiciado por homicídio duplamente qualificado, ameaça e porte ilegal de arma de fogo. A pena total pode chegar a 35 anos. Os detalhes da investigação  foram repassados nesta sexta-feira (29).

Segundo a Polícia Civil (PC), o homicídio qualificado ocorreu por motivo fútil, que impossibilitou a defesa da vítima. A ameaça ocorreu contra a motorista do caminhão da coleta de lixo. A arma usada no crime pertence à esposa, a delegada Ana Paula Balbino Nogueira.

A investigação também concluiu que Renê fez pesquisas no celular para saber sobre as consequências do crime que havia cometido. Além disso, segundo a PC, ele utilizou o comando de voz do carro para sintonizar na rádio Itatiaia, no intuito de acompanhar o noticiário policial.

“Após a prática do crime, já no início da tarde, ele fez diversas pesquisas no celular referentes à consequência do que ele havia praticado. Então, concluímos que ele teve sim ciência de que havia cometido um homicídio. Ele, inclusive, pesquisou o nome da rua em que estava na hora do crime”, afirmou o delegado Evandro Radaelli. 

Delegada da Polícia Civil, esposa de Renê, também é indiciada 

A delegada da Polícia Civil, Ana Paula Balbino, foi indiciada pelo crime de porte ilegal de arma de fogo de uso permitido.  

Conforme previsto na Lei no Desarmamento, a servidora foi indiciada por ter emprestado a arma ao marido. O crime prevê pena de 2 a 4 anos de prisão. Porém, por ela ser servidora pública, poderá ter a pena aumentada por até mais dois anos.

O delegado Evandro Radaelli disse que Ana Paula tinha conhecimento de que o homem utilizava a arma “constantemente”.

A delegada está afastada das funções desde 13 de agosto para “tratamento de saúde”. A Corregedoria da Polícia Civil abriu procedimento disciplinar para apurar a conduta da agente. Ela pode ser repreendida ou exonerada.

O Hoje em Dia tenta contato com as defesas de Renê e Ana Paula Balbino, mas ninguém foi localizado até o momento. 

Relembre o caso 

Laudemir de Souza Fernandes foi assassinado a tiros enquanto trabalhava no bairro Vista Alegre, região Oeste de BH. De acordo com a Polícia Militar, o empresário teria disparado contra o profissional de limpeza. Ele chegou a ser socorrido, mas não resistiu. 

O empresário foi identificado por câmeras de segurança da região. Pouco tempo depois, foi preso em uma academia na avenida Raja Gabaglia, que fica na mesma região.

*Estagiária, sob supervisão de Renato Fonseca

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