Movimento quer preservação da "casa" de Guimarães Rosa

Raquel Ramos - Hoje em Dia
12/02/2015 às 08:45.
Atualizado em 18/11/2021 às 06:00
 (Flávio Tavares)

(Flávio Tavares)

Um movimento iniciado nas redes sociais tenta mudar o futuro do antigo casarão localizado na esquina das ruas Congonhas e Leopoldina, bairro Santo Antônio, região Centro-Sul da capital. Há indícios de que, na década de 1920, o escritor mineiro Guimarães Rosa tenha morado no local que, hoje, corre risco de ser descaracterizado por um empreendimento imobiliário.
Com o nome “Salvem a Casa de Guimarães Rosa em Belo Horizonte”, a página do Facebook ganhou o apoio de 2 mil pessoas, em menos de 48 horas. A proposta é que, em vez de prédio, seja construído no endereço um centro cultural.
“É uma pena ver uma casa tão antiga, até mesmo tombada pelo município, se deteriorando. Mas não acredito que a construção de um condomínio seja a melhor escolha. Esse local é emblemático, fez parte da história da cidade e merecia atenção especial”, destaca Savio Leite, criador da página na internet.
Foi no quarteirão da rua Congonhas que, por anos, existiu o famoso Bar do Lulu, exemplifica. Foi lá também onde 13 casinhas serviram de cenário para a gravação do filme “O Menino Maluquinho”.
Segundo a prefeitura, o Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural do Município já aprovou um projeto imobiliário para o endereço. Sem entrar em detalhes, a Fundação Municipal informou que há uma série de diretrizes que preservam e valorizam os imóveis.
A empresa responsável pela obra, a Construtora Canopus, não se manifestou sobre o assunto.
Depois do carnaval

Enquanto o movimento para salvar a suposta casa de Guimarães Rosa ganha força na web, Savio já planeja uma ação para logo depois do Carnaval.
A ideia é fechar a rua Congonhas para um dia de atividades culturais e de conscientização da comunidade. “Será uma batalha difícil, com os moradores de um lado e, do outro, prefeitura e construtora”.
Professor da Faculdade de Arquitetura da UFMG, Leonardo Castriota acredita que ainda é possível ter esperança de reverter a situação. “Em Recife, um movimento popular conseguiu barrar a demolição do Cais José Estelita. Quem sabe não conseguimos alcançar o mesmo resultado aqui”, afirma.

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