Pente-fino em barragens aponta indícios de ruptura, afirma professora da Kennedy; assista ao vídeo

Lucas Eduardo Soares
05/02/2019 às 19:28.
Atualizado em 05/09/2021 às 16:24
 (Reprodução)

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Nenhuma barragem se rompe sem antes dar indícios de que isso possa acontecer. A afirmação de Rafaela Baldí Fernandes, professora dos cursos de engenharia civil e de minas nas Faculdades Kennedy, em Belo Horizonte, reforça que o monitoramento correto e frequente das estruturas é imprescindível para evitar desastres como o que ocorreu em Brumadinho. A tragédia na cidade da Grande BH já deixou 142 mortos.

Pesquisadora na área de geotecnia, a especialista explica que há ferramentas que atestam a segurança desses reservatórios. Conforme a docente, existem equipamentos que medem o nível de água, pressão e vazão nos espaços utilizados para receber os rejeitos da mineração.

De acordo com ela, os instrumentos usados pelas empresas são capazes de fazer uma espécie de "diagnóstico" das estruturas. "Dizer que uma barragem se rompe de uma hora para a outra é o mesmo que dizer que os instrumentos não funcionam. Afinal, eles estão lá para nos dar indicativos do que pode acontecer", pontua Rafaela. "O rompimento acontece em um momento, mas, com certeza, existem antes fatores que podem mensurar e detectar a iminência de ruptura", acrescenta a professora das Faculdades Kennedy.

Investigação

Para a pesquisadora, ainda são necessários estudos para indicar as causas da tragédia da barragem Mina Córrego do Feijão, da Vale, no último dia 25. "Precisamos de muitos dados. O fato é que alguma coisa aconteceu e existem ferramentas que servem para garantir estabilidade e medidas para contornar situações", afirma.

Uma dessas medidas é o plano de ação emergencial. O documento estabelece procedimentos para casos "críticos". A especialista esclarece, porém, que o relatório - que prevê a mancha de inundação em caso de desastre, estabelecendo medidas de prevenção e reparos - não equivale a um atestado de segurança.

Alternativa

Existe um método capaz de substituir o uso de barragens por mineradoras. Segundo Rafaela Baldí, é possível, em alguns casos, mudar para sólido o estado daquele material que seria rejeitado com muita concentração de água. Com isso, os resíduos poderiam, inclusive, ser empilhados. No entanto, essa técnica é recomendada em situações específicas e também requer investimento elevado.

"Essa é uma avaliação bem específica, pois existem rejeitos que não espessam. As técnicas a serem utilizadas variam caso a caso". Conforme a docente, vários aspectos devem ser analisados na construção de reservatórios para os resíduos de mineração. "Quando penso em uma barragem, preciso levar em conta qual é o local, o material da fundação, se chove muito ou pouco", afirma a professora das Faculdades Kennedy.

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