Planejamento do Carnaval de 2016 é debatido em audiência pública

Hoje em Dia
17/12/2015 às 21:59.
Atualizado em 17/11/2021 às 03:23
 (Samuel Costa/Hoje em Dia)

(Samuel Costa/Hoje em Dia)

O planejamento do Carnaval 2016 em Belo Horizonte foi discutido em audiência pública da Comissão de Educação, Ciência, Tecnologia, Cultura, Desporto, Lazer e Turismo nesta quinta-feira (17). O foco da discussão foi a folia na Savassi.

O vereador Léo Burguês de Castro (PSL), requerente da audiência, afirmou que o setor de bares e restaurantes ficou satisfeito com a garantia da Belotur de que, no ano que vem, a PBH não levará grandes palcos para a região.

O compromisso de que os proprietários de estabelecimentos comerciais poderão vender comidas e bebidas para além do espaço ocupado por seus imóveis também atendeu ao pleito da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel).

O parlamentar, contudo, espera que, com a ausência de grandes palcos, o número de participantes da folia no bairro diminua, fazendo com que a restrição ao ingresso de pessoas não seja necessária. Ainda segundo Léo Burguês, a ausência de um grande palco na Savassi, devolverá ao Carnaval da região o caráter familiar, que, segundo ele, fora perdido com a promoção de eventos de grande porte.

O requerente da audiência também defendeu a ausência de ambulantes vendendo bebidas na Savassi. Léo Burguês, assim como a Abrasel, defendem que os donos de bares e restaurantes possam, durante o Carnaval, expandir o espaço de venda para além de seus estabelecimentos.

Segundo o parlamentar, são os bares e restaurantes, “pagadores de impostos”, que devem atender à demanda dos foliões. Outro acerto entre PBH, PM e bares e restaurantes é a restrição à venda de bebidas em recipientes de vidro. Os comerciantes também querem decidir junto com a prefeitura os locais para a instalação de banheiros químicos.

O Major Eugênio, subcomandante do 1º batalhão da Polícia Militar, concordou com a ausência de grandes eventos na Savassi. De acordo com ele, neste ano, havia cerca de seis pessoas por metro quadrado na área durante o Carnaval e o ideal para a PM é que esse número não ultrapasse dois a três foliões por metro quadrado. Ele também defendeu que o folião da Savassi deve sentir que está sendo monitorado pela PM e que um dos instrumentos para que essa sensação seja perceptível é a instalação de grades para a entrada e saída de pessoas da região.

Folião como protagonista

O diretor de eventos da Belotur, Luiz Felipe Barreto Perez Filipe, esclareceu que o Carnaval de Belo Horizonte renasceu de maneira espontânea e segura, sendo uma festa protagonizada pelos moradores da cidade e não pela prefeitura.

Ele salientou que os principais atores do Carnaval são os blocos de rua e que o papel primordial da prefeitura não é enquadrar e restringir a festividade a partir de um conjunto de regras preestabelecidas, mas ofertar a infraestrutura necessária para que a população possa brincar o Carnaval. “Temos que criar condições para que as pessoas brinquem o Carnaval com liberdade e segurança”, afirmou Luiz Felipe.

Em relação à Savassi, ele afirmou que a intenção da PBH é proibir o trânsito de veículos durante as festividades do Carnaval, de modo a garantir condições adequadas e seguras para a ocupação do espaço público pelos foliões. Além disso, caberá à PBH aumentar o número de banheiros químicos. Ele também afirmou que a PBH não irá instalar camarotes, nem haverá cordas nos blocos que vão percorrer as ruas da cidade. “O Carnaval de BH é sem grade e sem corda”, garantiu.

Quanto aos ambulantes, Felipe apontou que eles são muito importantes nas festividades, pois, atendem à demanda dos foliões durante o percurso seguido pelos blocos. Ele afirmou que a orientação da Belotur é para que eles se cadastrem na PBH de modo a que possam receber as instruções necessárias sobre como atuar.

De acordo com ele, cada bloco deve ter, pelo menos, um ambulante atendendo os foliões. Luiz Felipe reiterou que cerca de 80% dos foliões de BH estão nos blocos e os ambulantes prestam um serviço relevante ao público. Ele também afirmou discordar da proposta de Léo Burguês de que, durante a atuação dos blocos, apenas seus organizadores possam vender bebidas aos foliões. Segundo o representante da Belotur, isso iria contra o caráter aberto do Carnaval da cidade.

De acordo com o vereador Arnaldo Godoy (PT), o posicionamento da Belotur quanto à presença dos ambulantes nos blocos é muito pertinente. Além disso, Godoy afirmou que a legislação veda a instalação de grades nas praças da cidade durante eventos públicos.

Para o parlamentar, as cercas criam conflitos, em vez de aumentar a segurança. Segundo Godoy, os espaços públicos não devem ser fechados ao acesso de pessoas durante o Carnaval. Ele defendeu que a restrição esteja circunscrita à circulação de veículos.

Segurança e armas

A Polícia Militar e o vereador Léo Burguês de Castro defenderam a presença de policias armados nos trajetos percorridos pelos blocos. O parlamentar disse que quer a polícia armada, utilizando a força de acordo com a necessidade.

Já o representante da Belotur, solicitou ao Major Eugênio, que leve ao comando da Polícia Militar a proposta de que os policiais que venham a atuar para garantir a segurança dos blocos de Carnaval não portem armas de fogo.

Perfil dos foliões

Godoy também se posicionou contra a segmentação do perfil dos foliões por região da cidade. Para ele, não se deve atuar para que as festividades na Praça da Liberdade sejam de classe média, para que a Savassi seja frequentada por famílias e para que o evento na Praça da Estação seja “popular”. “O bonito do Carnaval é a mistura”, salientou o parlamentar.

Luiz Felipe concordou com o parlamentar, ao afirmar que a PBH é contra a ideia de o poder público atuar para criar demandas durante o Carnaval. De acordo com o representante da Belotur, a prefeitura também não age para estabelecer perfis de foliões em diferentes regiões da cidade.

Segundo ele, o que a PBH faz é identificar demandas e atendê-las por meio da oferta de infraestrutura. Sobre o papel da PBH, ele reiterou: “deve-se atender à demanda já existente, e não criar uma demanda”.

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