Sem água, sem trabalho

Rodízio no abastecimento da Grande BH prejudica pequenos negócios, que suspendem serviços

Lucas Sanches
@sanches_07
09/03/2022 às 17:20.
Atualizado em 09/03/2022 às 17:30
"Estamos fazendo só barba e cortes. Relaxamento, luzes, reflexo e pintura é impossível", conta Carlos Gonçalves (Valéria Marques)

"Estamos fazendo só barba e cortes. Relaxamento, luzes, reflexo e pintura é impossível", conta Carlos Gonçalves (Valéria Marques)

O rodízio no abastecimento de água na Grande BH já se traduz em prejuízos econômicos, deixando um alerta para o orçamento das famílias no fim do mês. Profissionais calculam que as perdas podem chegar a 90% do lucro, como em salões de beleza. Sem opções, alguns serviços tiveram que ser suspensos.

Cabeleireiro há 17 anos no bairro Landi Segunda Seção, em Ribeirão das Neves, Carlos Gonçalves precisa de água em metade das atividades executadas. Ele já se viu obrigado a mudar a rotina no salão.

"Estamos fazendo só barba e corte. Relaxamento, luzes, reflexo e pintura precisam que a gente lave o cabelo do cliente, mas por enquanto é impossível", conta.

A cadeira usada para a lavagem nem está mais à disposição. Segundo o profissional, de 47 anos, orçamento ficará comprometido, caso a situação não se resolva logo. 

Hélia Moura, de 34 anos, é dona de um salão de beleza. Moradora do bairro há anos, ela reclama da falta de água desde sábado. Preocupada, também teve que suspender serviços.

"Tudo aqui precisa de água. Todos os procedimentos, a higiene nossa e dos clientes, sem falar na limpeza do espaço. Tudo precisou parar porque não sei quando vai ter água nem quanto tempo vai durar", desabafa.

A cabeleireira acredita que sem os serviços o orçamento fique comprometido em até 90%. "O que sobrou é fazer unhas e sobrancelhas, mas isso sempre foi um complemento. É realmente para não parar de vez, e ainda tentar garantir nosso pagamento no fim do mês", comenta.

Obra na berlinda
O desabastecimento também prejudica o motorista Leandro André, de 34 anos, que está com uma obra em casa. A intervenção na laje visa a reforçar o teto no período de chuva. 

Ele conta que a caixa d'água ficou cheia na segunda-feira (7). Desde então, a água é dividida entre o trabalho do pedreiro e o uso em casa. A família deixou um galão estocado para emergência.

O responsável pela obra, Itamar Júnior, de 29 anos, conta que o sinal de alerta fica sempre ligado. "Especialmente para o cimento, precisamos muito da água. Dá pra ver que a caixa esvazia rápido com o uso diário. Então, preciso economizar ao máximo, porque, quando acabar, parou tudo por aqui", conta.

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