prevenção

Saiba por que temos de tomar a vacina da gripe todos os anos

Luciane Amaral
lamaral@hojeemdia.com.br
03/04/2022 às 18:43.
Atualizado em 03/04/2022 às 23:03

Com a chegada da época de baixas temperaturas e clima seco, aumenta a incidência de infecções respiratórias, como a gripe. E, ao contrário de algumas doenças em que apenas uma dose de vacina é necessária para imunização total, como é o caso da febre amarela, (desde abril de 2017, o Brasil adota o esquema vacinal de apenas uma dose), todos os anos devemos nos proteger contra o influenza. 

Mas por que isso acontece?

A estratégia para vacinação contra o vírus influenza foi integrada ao Programa Nacional de Imunizações (PNI) em 1999, com o objetivo de reduzir internações por complicações decorrentes da gripe e óbitos.

As vacinas contra a gripe sazonal anuais seguem as cepas do vírus Influenza definidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que todo ano divulga as cepas que mais circularam dos vírus influenza A e B nos hemisférios Norte e Sul. 

Vacina da gripe oferecida em postos em BH (Adão de Souza/PBH)

Vacina da gripe oferecida em postos em BH (Adão de Souza/PBH)

De acordo com Carolina Luisa Alves Barbieri, gestora Médica de Desenvolvimento Clínico, e Ricardo Oliveira, diretor de Produção do Instituto Butantan (único produtor de vacinas contra a Influenza no Brasil), há dois motivos principais para o desenvolvimento e a pesquisa de novos imunizantes contra a gripe.

O primeiro, é devido à atualização para as cepas circulantes, que sofrem mutações frequentes. O segundo, é porque as vacinas contra influenza não produzem memória imunológica a longo prazo. Então, mesmo que não haja alteração das cepas, recomenda-se uma nova imunização. 

Quais são os vírus da gripe?

De acordo com os pesquisadores do Butantan, o vírus influenza pertence à família Ortomixiviridae e é classificado em três tipos: A, B e C. 

O vírus influenza tipo A sofre periodicamente alterações em seu material genético responsável pelos quadros de gripe sazonal todos os anos (chamado de “antigenic drift”). Ele pode sofrer mutações maiores chamadas de antigenic shift, que são responsáveis pelas pandemias como a da gripe espanhola em 1918 e a da Influenza A H1N1, em 2009. 

O vírus Influenza B sofre menos mutações e está associado com epidemias anuais, sendo descritas 2 linhagens: B Victoria e B Yamagata.  

O tipo C causa apenas infecções respiratórias brandas, não possui impacto na saúde pública e não está relacionado a epidemias.

Como as vacinas são desenvolvidas?

O Butantan é o maior produtor de vacina contra influenza do hemisfério Sul com capacidade de produção de até 80 milhões de doses para o Brasil e de até 60 milhões de doses para o hemisfério Norte. A maior parcela vai para o Ministério da Saúde (MS) e o excedente de produção é exportado. 

A tecnologia utilizada no instituto foi transferida por uma empresa parceira há mais de dez anos. As novas versões contam com as cepas que estão circulando no mundo atualmente, conforme orientação da Organização Mundial da Saúde (OMS). 

As cepas são importadas dos laboratórios referências da OMS e processadas em pequenas escalas, para produção dos bancos virais, que darão origem aos Insumos Farmacêuticos Ativos (IFAs) da vacina de influenza. 

Pesquisa de nova vacina

A vacina atualmente disponível para a gripe à população é a influenza trivalente (fragmentada inativada), que contém duas cepas de vírus A e uma cepa de vírus B. 

Em maio de 2021, começaram os testes para fabricação no Brasil de uma nova vacina contra a gripe, tetravalente e mais potente para ampliar a proteção, especialmente em populações consideradas de risco para o agravamento da doença, como crianças, adolescentes, idosos e gestantes.

O vírus Influenza pode levar a quadros de doenças que variam de leves a graves, podendo ser fatal. A síndrome gripal (SG) se caracteriza pelo aparecimento súbito de febre, cefaléia, dores musculares (mialgia), tosse, dor de garganta e fadiga. Nos casos mais graves pode evoluir para a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) e óbito. Os grupos em que a gripe pode gerar mais complicações e hospitalizações são em idosos, pessoas com doenças de base, crianças menores de 5 anos, gestantes e profissionais de saúde.

Tempo seco e frio propiciam doenças respiratórias (André Brant)

Tempo seco e frio propiciam doenças respiratórias (André Brant)

Os estudos clínicos estão em andamento, inclusive em BH, em uma parceria do Butantan com a equipe técnica chefiada pelo coordenador do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Fármacos (CPDF) do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), professor Mauro Martins Teixeira.

Os voluntários recebem as doses de teste do novo imunizante. E são monitorados na unidade de atendimento montado na área do Centro de Saúde Jardim Montanhês, região Noroeste da capital.

Na época do lançamento da pesquisa da nova vacina, o presidente do Butantan, Dimas Covas, declarou, otimista, que “com os resultados que serão obtidos a partir deste novo estudo clínico, poderemos incluir este novo imunizante no portfólio de vacinas disponibilizadas ao Ministério da Saúde”.

A vacinação contra gripe tem uma importância ainda maior por causa da cocirculação dos vírus influenza e do SARS-CoV-2. Além de aliviar a sobrecarga no sistema de saúde durante a pandemia pela COVID-19, a nova vacina que poderá, futuramente, integrar o calendário de vacinação no país, poderá dar mais proteção às pessoas mais vulneráveis com risco de desenvolver as formas graves das doenças. 

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