Grande BH

'Um absurdo': passageiros na bronca contra aumento da tarifa dos ônibus metropolitanos

Passageiros reclamam que acréscimo na tarifa “não se traduz” em melhorias na frota ou no cumprimento de horários do transporte público

Do HOJE EM DIA
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Publicado em 09/01/2026 às 11:12.Atualizado em 09/01/2026 às 11:59.
 (Maurício Vieira/ Hoje em Dia)
(Maurício Vieira/ Hoje em Dia)

O primeiro dia de vigência das novas tarifas do transporte coletivo metropolitano na Grande BH, nesta sexta-feira (9), foi marcado por reclamações de passageiros. O reajuste de 8,93%, autorizado pelo Governo de Minas, elevou os custos de deslocamento entre a capital e outras 34 cidades da região, gerando críticas dos usuários. 

Entre os passageiros, o sentimento é de que o aumento da tarifa não se traduz em melhorias na frota ou no cumprimento de horários. A auxiliar de serviços de 37 anos, Caroline Alves, que utiliza o sistema diariamente para se deslocar de Santa Luzia para o Centro de BH, descreve a situação como "um absurdo".

"Os ônibus não são aquilo tudo pelo valor que estão cobrando. Não têm ônibus suficientes para todo mundo, é muita bagunça. Todo mundo fica em pé, correndo o risco de se machucar. Às vezes o ônibus não passa, acumula gente na estação e dá até briga na hora do embarque", relata Caroline.

A usuária afirma ainda que o tempo de espera e a falta de veículos estendem sua jornada diária: "Saio do trabalho às 19h45 e chego em casa quase 22h por causa de atraso. Para cobrar esse valor de passagem, deveriam aumentar a frota".

Para quem depende de mais de uma linha para se locomover diariamente, o impacto no orçamento mensal pode ultrapassar a marca dos R$ 600,00. É o caso de Rose Fernandes, que utiliza duas conduções por trecho. Com o reajuste, uma de suas passagens subiu para R$ 6,25 e a outra para R$ 8,95.

"O aumento foi excessivo, péssimo. O governo podia olhar para a população, porque os ônibus estão estragados e sempre lotados", afirma Rose. 

Segundo os cálculos da passageira, o gasto diário com transporte passou a ser de R$ 30,40. "Às cinco da tarde, na rua Santos Dumont, não cabe mais ninguém dentro do ônibus de tão lotado. O bolso do cidadão não aguenta". 

O novo teto tarifário foi publicado no Diário Oficial do Estado (DOE) ainda no fim de dezembro, sob assinatura do secretário de Estado de Infraestrutura, Mobilidade e Parcerias, Pedro Bruno Barros de Souza. De acordo com a secretaria, a correção é uma previsão contratual que leva em conta a inflação acumulada e os custos operacionais para a manutenção do serviço de transporte.

Impacto no bolso do passageiro

Na prática, o aumento representa um peso significativo no orçamento mensal de quem depende do sistema. Um exemplo é a ligação entre Esmeraldas e Belo Horizonte, onde a passagem saltou de R$ 10,35 para R$ 11,27. Com a variação, os valores praticados no sistema metropolitano agora apresentam uma amplitude considerável:

  • Tarifa mínima: R$ 6,10 (como na linha 3651, Brasília/Terminal Sarzedo).
  • Tarifa máxima: R$ 62,45 (linha 3732, que liga Belo Horizonte ao Instituto Cultural Inhotim).

O sistema metropolitano é responsável por conectar Belo Horizonte a polos importantes como Contagem, Ribeirão das Neves e Sabará. O cálculo do reajuste seguiu as diretrizes da cláusula quinta dos contratos de concessão vigentes.

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