Scolari abandona o esquema tático de 2002 e aposta no fortalecimento do meio-campo

Felipe Torres - Hoje em Dia
22/05/2014 às 08:28.
Atualizado em 18/11/2021 às 02:41
 (Rafael Ribeiro)

(Rafael Ribeiro)

O Real Madrid está a uma vitória sobre o arquirrival Atlético, no sábado (24), em Lisboa (POR), de conquistar, pela décima vez, a Liga dos Campeões da Europa. Os merengues, liderados por Cristiano Ronaldo, se tornaram a sensação do momento no futebol mundial, devido ao equilíbrio entre os setores do time.

Mas o que os galácticos de Carlo Ancelotti têm a ver com a Seleção de Luiz Felipe Scolari, que busca o hexacampeonato na Copa do Mundo do Brasil? A resposta são as parecidas propostas táticas. Isso indica que, no intervalo de 12 anos, Felipão mudou radicalmente o jeito de “pensar o jogo”, se comparado à antiga versão da Família Scolari.

Volantes ofensivos

A maioria atribui o atual sucesso do Real ao astro CR7, eleito o melhor do planeta em 2013. Porém o segredo do italiano Ancelotti reside no meio-campo. Os dois volantes, Xabi Alonso e Modric, se destacaram, ao longo da temporada, abusando da eficiência na defesa, mas também se garantindo como potenciais armas ofensivas. Já Di María, Bale, Benzema e Cristiano Ronaldo, os homens de frente, são os primeiros a combater em campo inimigo.

Felipão deve ter assistido a diversos compromissos da equipe espanhola e de clubes europeus em geral. Com uma caneta e papel em mãos, sobraram anotações. A mudança de mentalidade do gaúcho é considerável.

Durante a lendária campanha do penta, em 2002, Felipão montou o Brasil com três zagueiros – Lúcio, Edmilson e Roque Júnior –, além de dois volantes de contenção, Gilberto Silva e Kléberson. A preocupação era cobrir as investidas dos laterais, Cafu e Roberto Carlos e dar liberdade à trinca dos “Rs”.

O treinador acabou chamado de “retranqueiro”. Mas ele calou os críticos. O esquema tático funcionou. Ronaldinho, Rivaldo e Ronaldo tiveram totais condições de brilhar e decidiram duelos difíceis. O comprometimento tático dos jogadores impressionou e fez a diferença.

Mais criatividade

Desta vez, assim como o Real Madrid, de Cristiano Ronaldo, a Seleção depende muito de um astro: Neymar. Por isso, Scolari investiu em outras alternativas ofensivas. Ele tratou de fortalecer a criatividade do meio. Felipão optou por Paulinho, volante com ótimo poderio de ataque, ao lado do “cão de guarda” Luiz Gustavo. O ex-corintiano surge como elemento surpresa na frente, ajudando também Oscar e os atacantes Hulk, Neymar e Fred.

A nova trinca da Seleção necessita de companhia constante ao buscar lances pelas pontas. Caso a bola não chegue, o matador Fred quase não finalizará. O camisa 9 será um a menos no gramado. A lógica ficou comprovada na Copa das Confederações do ano passado.

Para completar, Neymar ainda esbanja velocidade e grande repertório técnico para brilhar. Fred e Hulk não. Portanto, aumenta a cobrança por um jogo coletivo bem articulado entre os atletas de ataque. Felipão sabe disso e está de olho.

Sistema de jogo testado e aprovado no ano passado

Quando decidiu pelos 23 nomes que defenderiam a Seleção Brasileira na Copa do Mundo, Luiz Felipe Scolari foi enfático: “Com eles, vou até o inferno.” A confiança veio depois da conquista da Copa das Confederações, em junho do ano passado.

No torneio, Felipão teve a certeza de que a proposta tática tinha sido aceita e colocada em prática pelos jogadores. Ao optar por um volante com saída de jogo, como Paulinho, o comandante precisava que Oscar, meia ofensivo, e o trio de atacantes – Hulk, Neymar e Fred – marcassem a saída de bola e as investidas dos laterais adversários.

Os homens de frente deram conta do recado. Tanto que, a cada compromisso, os quatro deixavam o gramado exaustos. O contestado Hulk, mesmo vaiado em algumas partidas, arrancava elogios de Scolari, por causa da entrega.

Felipão tem tanta convicção no esquema de jogo que os atletas chamados para a reserva seguiram o mesmo perfil dos titulares. Os volantes Hernanes, Ramires e Fernandinho também mostram qualidade ofensiva. Por sua vez, o meia Willian se acostumou à necessidade de ajudar na marcação no Chelsea, de José Mourinho, na Inglaterra.
 
Incógnita

Só que a estrela do meio-campo de Felipão chega ao Mundial como uma incógnita. Paulinho não vem de uma boa temporada nos londrinos de Tottenham e precisará recuperar o futebol na Copa.

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