À espera do santo milagreiro

Aqui é Galo! / 14/09/2019 - 08h34
santo

 

Jogo pela manhã não tem nada de “familiar”, como os comentaristas gostam de dizer, enchendo a boca para apontar a frequência de papais e pimpolhos. O transtorno é grande, principalmente quando não tem ninguém em casa interessado em ir ao Independência, neste calorão, após quatro derrotas consecutivas do Atlético no Campeonato Brasileiro.

Se falo em levar a filha, a esposa entabula inúmeras razões para ela não ir: ter que acordar cedo no dia em que Julia pode esticar o sono e descansar; os churrasquinhos e os picolés que costumam prejudicar o sagrado almoço de domingo; e a exposição da menina a um sol de rachar, citando pela enésima vez a viagem à praia em que não passei protetor solar, fazendo da Julia um “pimentão”.

Jogo bom mesmo é às 17h, em que você adentra em casa às 20h, já na hora do “Fantástico” e daquela cara de sono geral. Ninguém vai achar ruim se chegar um pouquinho mais alegrinho do que deveria, entrando pela garagem buzinando em caso de vitória, como rádio do carro ligado no último volume, ou gritando “Galo!” só para provocar o vizinho do lado.

À noite, nada é feito às claras. Imagine dar de cara na rua, no início da tarde, com aquele cruzeirense com quem troca cordialidades pela janela há anos. Assim, à luz do dia. Provavelmente cada um vai abaixar a cabeça e seguir para a sua casa, como se não tivesse reconhecido o outro, e lamentando a prova de covardia. É de estragar qualquer domingo de futebol.

Esposa gosta de ir à missa aos domingos, às 9h. Explico que minha missão é igualmente orar em um templo sagrado. Rezar por uma vitória matutina que ainda não aconteceu neste ano, após o empate de 1 a 1 com o Cruzeiro e a derrota por 1 a 0 para o Bahia. Neste último, tivemos a estreia alvinegra do atacante Di Santo, que já fez um gol sem somar 20 minutos em campo.

Rogo também para o argentino ser o titular contra o Internacional. Quem sabe, nosso papa, nosso Mario Bergoglio. Tem Franco no nome, próximo de Francisco, etimologicamente. Dizem meus alfarrábios que Franco, nascido de uma tribo germânica, deu origem ao italiano Francesco, variante de Francisco. Em bom alemão, diga-se, quer dizer “livre”.

Não pode ficar livre como Ricardo Oliveira, na cara do gol, e não pôr a bola para dentro. Alemão, imagino, o argentino deve compreender, já que passou sete temporadas na Bundesliga, atuando pelo Werder Bremen e pelo Schalke 04, times em que viveu os seus melhores momentos de futebolista. No Galo, marcou na única oportunidade que teve, diante do Botafogo.

O último atacante argentino que o alvinegro teve, é bom lembrar, foi Lucas Prato, que participou de 107 jogos entre 2015 e 2017, marcando 42 gols. Foi embora porque não dava para ele e Fred jogarem juntos lá na frente. Se arrependimento matasse... Antes sobravam jogadores ofensivos de talento. Agora, a posição vive um deserto igual à sensação térmica em Belo Horizonte.

São Francisco, como se sabe, é patrono do meio ambiente. Esperamos que o nosso “Francisco” areje um pouco o clima tenso no CT de Vespasiano. Afinal, ele, o santo, já pacificou uma tempestade e expulsou demônios. Diante de um adversário – o Colón – que jogará em Santa Fé, na quinta-feira, pelas semifinais da Copa Sul-Americana, santos estrangeiros podem fazer milagres.

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