A de Alerrandro

Aqui é Galo! / 22/03/2019 - 07h00
alerrandro

 

Ao ver o jovem Alerrandro disparando na artilharia do Campeonato Mineiro, eu me lembrei daquela brincadeira, que não é só de criança, chamada “Dedanha” (outros dizem “Stop”), em que temos que, no menor tempo possível, preencher diversas questões de conhecimentos gerais a partir da escolha de uma determinada letra.
 
No embalo de uma entrevista recente do prefeito e ex-presidente do Atlético, Alexandre Kalil, para quem o clube sempre “fabricou” ou “recuperou” jogadores, logo imaginei o Galo como uma montadora de carros. Assim, Alerrandro seria, na “Dedanha”, o veículo que marcaria se a letra escolhida fosse “A”.
 
Provavelmente teria que dividir os pontos com meus colegas de jogo, já que, de mero garoto da base que parecia longe de fazer sombra ao inquestionável Ricardo Oliveira, o atacante de 19 anos se transformou num daqueles lançamentos tão esperados do ano, um legítimo zero quilômetro com tudo que almejamos sobre rodas.
 
Muito rodado, Oliveira “esquentou” o motor, fervendo dentro de um esquema tático que também queimou Elias, outro modelo já bastante testado. Se continuar em jejum, deve seguir para a outra ala atleticana, a de “recuperação”, onde entraram tantos nomes que depois se consagrariam mais uma vez, como Jô e Ronaldinho Gaúcho.
 
A ala estava desativada desde a saída de Róger Guedes, que teve uma recuperação a jato, a ponto de perdemos de vista o jogador. Nas contratações desta temporada, poucos foram aqueles que chegaram com avarias para passar por uma lanternagem completa na oficina atleticana. A única exceção talvez seja Geuvânio.
 
O lado fabricante também estava dando prejuízo. Não que estivesse parado, mas os últimos investimentos não tiveram o retorno esperado. Carro bom mesmo foi o Jemerson, confiável e estiloso. Isso foi em 2016. Antes dele, os modelos tipo exportação foram Marcos Rocha e Bernard, os melhores da América do Sul em 2013.
 
A surpresa provocada por Alerrandro tem, claro, muito do engenheiro mecânico Levir Culpi. Ele soube fazer os testes adequados, mexendo na regulagem do time dentro do Campeonato Mineiro. Tanto que, por enquanto, quem está levando os méritos pela classificação em primeiro lugar é o grupo B, que fez a maior parte dos jogos do certame.
 
O Mineiro virou, por assim dizer, a pista particular do Galo na temporada. Nas estradas longínquas e de terra, jogadores como Guga, Bolt, Vinícius, Carlos César e Cleiton mostraram que podiam sair do 1.0 para entrarem nas categorias de luxo. Se ainda não virou um SUV, Alerrandro já está na faixa dos sedans.
 
Apesar de ter em Alerrandro um gosto de novidade, ainda prefiro Cazares, que exigiu muito da ala de recuperação desde que veio para o Atlético, em 2016. Em três anos, só agora se apresenta mais macio para guiar, com a transmissão em estado perfeito, motor robusto e sistemas de direção e freio em ordem. Falta um título. O da “Dedanha”, pelo menos, já está garantido.
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